HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA VERSUS SACAROSE NA POPULAÇÃO IDOSA E OS IMPACTOS DA DIETOTERAPIA

Emilly de Almeida Costa, Gabriela Heringer Almeida, Mariana Cordeiro Dias

Resumo


Introdução: A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica multifatorial, definida por níveis aumentados e sustentados de pressão arterial (PA), PA sistólica > 140 mmHg e/ou PA diastólica > 90 mmHg1. Por estar, frequentemente, associada a distúrbios metabólicos e alterações funcionais e/ou estruturais, esse trabalho objetiva reforçar o vínculo do açúcar, sacarose, com a HAS na terceira idade e a relevância das dietoterapias, e justifica-se por se tratar de uma comorbidade que assola a maioria da população idosa2. Metodologia: O trabalho trata-se de uma revisão bibliográfica a fim de esclarecer a relação da sacarose com a HAS desenvolvida na senilidade. Foi utilizado como bases de dados da Revista Brasileira de Hipertensão, WHO, SciELO e etc, com recorte temporal de 2001 a 2019. Discussão: Devido ao aumento da expectativa de vida em todo o mundo observou-se, assim, uma maior incidência e prevalência de determinadas doenças como a HAS, já que as próprias alterações fisiológicas geradas pelo envelhecimento tornam o indivíduo mais propenso ao desenvolvimento dessa patologia, sendo esta, então, a principal doença crônica nessa população3. Com isso, sabe-se que há maior prevalência de HAS em pessoas acima de 65 anos, sendo ainda mais prevalente em pacientes do sexo feminino e em idosos com baixa escolaridade4. Assim, a hipertensão arterial secundária nesses indivíduos está relacionada à causas mais específicas, como hiperaldosteronismo (hipertensão mineralocorticóide), endócrina 5, notando-se que o aumento de peso está frequentemente associado à elevação da pressão arterial nos idosos, já que a sobrecarga de sacarose induz aumento do tecido adiposo visceral, que está diretamente relacionado com o aumento da ANS6. Dessa forma, o tratamento da HAS inclui tanto a abordagem do fator causal quanto a alterações de hábitos de vida do paciente idoso hipertenso. Por conseguinte, a dietoterapia tem sido uma escolha terapêutica efetiva, uma vez que estudos comprovaram que a redução da PA pós dieta, como a DASH (não é tão restritiva, e possui maior aceitação) foram semelhantes aos resultados encontrados em estudos de intervenção farmacológica em pacientes com HAS no estágio I7. Portanto, a meta para o tratamento da hipertensão secundária na população senil, consiste em aumentar a sobrevida e evitar as complicações, principalmente cardiovasculares, afim de melhorar a qualidade de vida e considerando o impacto dessa patologia no indivíduo idoso e em suas comorbidades, visando atingir e manter a pressão arterial 140/90 mmHg ou mais baixa8. Conclusão: Diante do exposto, a sacarose, por influenciar diretamente no metabolismo do paciente, principalmente por aumentar o tecido adiposo visceral, gera uma sobrecarga no organismo que corrobora com o HAS. Sendo assim, a dieta DASH, que contempla a opção de redução de açúcar, vem promovendo melhores resultados no controle da HAS em idosos. Cabe ressaltar que apesar do trabalho frisar sobre o vínculo da HAS com a sacarose na terceira idade, os estudos também demonstram a importância da alimentação balanceada e da prática de exercício físico por essa população.


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Referências


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