HIPODERMÓCLISE EM PACIENTES TERMINAIS: MINIMIZANDO OS EFEITOS TERAPÊUTICOS DA DOR.

Laudinei de Carvalho Gomes, Nayane Aparecida Carvalho Butinholi, Luciano Montes Justino, Gabriela Chaves Mendes Justino

Resumo


Introdução: Os cuidados paliativos são descritos como um conjunto de atividades assistenciais, direcionados aos pacientes em condições terminais, com vistas à melhora na qualidade de vida, minimizando o sofrimento e a dor decorrente de suas necessidades fisiopatológicas, psíquica e social (1). Os pacientes nestas condições apresentam frequentemente dificuldade para infusão de medicamentos e fluidos por via menos invasiva, em decorrência dos sintomas, necessitando de vias terapêuticas alternativas (2). A administração de medicamentos e fluídos por hipodermóclise consiste em ganhos significativos para estes pacientes, pelo manejo seguro, fácil e menor intensidade dolorosa. Corroborando com a necessidade dos pacientes em terminalidade da vida, a técnica permite administração, por exemplo, de opioides na terapêutica da dor (3). Médico e enfermeiros, apresentam funções relevantes neste contexto, o cuidado direcionado, o suporte, o conforto e o amparo, perpassa a necessidade biológica, oferecer técnicas e suporte menos invasivo, torna-se uma diferencial na assistência a estes pacientes. A terminalidade da vida requer manejo e condutas para além das necessidades fisiológicas, demanda compreensão do contexto social e familiar, promover o cuidado de forma holística, com amor e compaixão, é oportunizar os pacientes o término da vida com dignidade, respeito e solidariedade (4). A terminalidade da vida ainda é um tabu no cotidiano dos profissionais de saúde, dos pacientes e dos familiares, estereotipado por percepções e questões culturais associadas, assim, a contextualização dos cuidados paliativos é um desafio a ser superado para melhor qualidade de vida dos pacientes fora das condições terapêuticas (5). Sendo assim, a hipodermóclise se faz necessária neste campo clínico de saúde, em que o conhecimento teórico e prático, demarca o início para maior adesão e utilização da via subcutânea com alternativa terapêutica dos pacientes terminais. Por tanto, o presente estudo tem por objetivo identificar na literatura as repercussões e aplicação da hipodermóclise em pacientes terminais. Em acordo com os trabalhos expostos, a justificativa deste estudo está articulada em promover uma reflexão crítica sobre os cuidados paliativos e a utilização da hipodermóclise em pacientes terminais, como técnica terapêutica de alivio da dor. Metodologia: Trata-se de uma revisão da literatura, por meio de busca eletrônica de estudos nas bases de dados: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Health Information from the National Library of Medicine (Medline) e Revista de Educação Médica (REBEM), em idiomas inglês e/ou português, com publicação nos últimos cinco anos. A busca foi realizada com ênfase nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): cuidados paliativos na terminalidade da vida, hipodermóclise e manejo da dor. Foram incluídos na pesquisa estudos quantitativos e qualitativos que incluíssem na abordagem metodológica terminalidade da vida e manejo terapêutico da dor por hipodermóclise, e os critérios de exclusão foram estudos que não contemplassem essa abordagem no término da vida, as repercussões da hipodermóclise e os estudos que não foram aplicados em pacientes idosos. Resultados e discussão: Foram selecionados 10 artigos com base no aporte metodológico descrito. Em acordo com a revisão nas bases supracitadas, a dor foi o sintoma com maior associação às doenças terminais, esta afeta a aceitação dos pacientes para a terapêutica, rotina e o prognóstico da doença, desencadeando sentimentos psíquicos negativos. Os profissionais de saúde necessitam monitorar os pacientes em condições terminais, para reconhecer e controlar a dor, direcionando a assistência de forma integral e com qualidade, a identificação precoce de sintomas clínicos, permite implementar e avaliar a terapêutica farmacológica, bem como, instruir medidas não farmacológica para o manejo da dor (6) A conduta dos

 

 

 

profissionais de saúde é aplicada, aos pacientes sem prognostico, mediante métodos invasivos, em sua maioria com enfoque na busca por sua recuperação, desmerecendo o sofrimento psíquico do paciente (7). Na atualidade, a literatura tem apresentado a via subcutânea como um recurso que aumentam as possibilidades de alivio ao sofrimento. Esta via, tendo a hipodermóclise, um meio alternativo que possibilita a administração de medicamentos, diretamente no tecido adiposo, o que apresenta características de absorção lenta, eficaz e com maior ação do fármaco. A prescrição e administração deve atender critérios do medicamento, protocolo e condições do paciente (8). Mesmo com seus múltiplos benefícios, a hipodermóclise ainda é pouco difundida nas instituições de saúde, salvo, aquelas que prestam assistência às doenças especificas, oncológicas, por exemplo. Em hospital geral, a técnica ainda é pouco conhecida e adotada na rotina, por desconhecimento da técnica e seus benefícios, daí, a necessidade de educação permanente e treinamentos (9). Em consonância, os profissionais de saúde devem conhecer a técnica, sua abordagem, ter segurança para a prescrição e execução, assim assegurar a minimização de leões, riscos de contaminação e dor por punções sem êxito (3). Os pacientes nesta modalidade de hospitalização requerem para maior conforto e segurança, o acompanhamento do familiar e ou responsável, estes são refugio para exteriorizar seus sentimentos. A percepção dos profissionais neste momento é a contrapartida para minimizar esta inferência, o medo, a insegurança e a ansiedade, são outros sentimentos relatados por estes pacientes (8). A contextualização de terminalidade da vida não é uma tarefa fácil e simples, requer análise biológica, social e espiritual, por ser uma questão vivenciada e percebida por cada sujeito, de forma única. Os pacientes terminais têm direitos abertos ao diálogo, à decisão, à terapia e aos benefícios. A assistência interdisciplinar proporciona aos pacientes nestas situações, desfrutar da melhor forma os dias que ainda lhes restam, com qualidade, isentos de dor e com sua sintomatologia sob controle (10). Em consonância, a humanização ultrapassa as necessidades dos pacientes, ganha alinhados, a família e o contexto que o pacientes encontra-se em tratamento. A atenção prestada deve ser individual e diferenciada, considerando elementos chaves, singularidade e a necessidade que é requerida por cada sujeito (11). A assistência dispensada aos pacientes terminar requer, abordagem interdisciplinar, o que pressupõem atenção contínua e integral, com aporte para domínio específico de cada área, contribuído para bem estar biopsicossocial e espiritual do paciente (12). Ressalvas, de acordo com a literatura, são evidenciadas, principalmente em unidade hospitalar geral, demarcada pela prática exitosa de métodos tradicionais, inexperiências, desconhecimento da hipodermóclise, déficit de informação sobre os protocolos de prescrição e fármacos compatíveis com a vida (13). Conclusão: Os apontamentos realizados neste estudo descrevem o desconhecimento, ausência de protocolos, padronizações e de treinamentos, são barreiras para maximização da hipodermóclise. Estes fatores devem ser superados, pois, a via subcutânea é identifica na literatura como uma via útil, segura e de maior conforto para os pacientes, quando associamos as possibilidades de minimizar procedimentos invasivos.


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PALAVRAS-CHAVE: CUIDADOS PALIATIVOS; TERMINALIDADE DA VIDA; HIPODERMÓCLISE; MANEJO DA DOR.


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