A PREVALÊNCIA DA MORTALIDADE NA TERCEIRA IDADE POR ACIDENTES DOMÉSTICOS

Maria Paula Bernardo dos Santos, Jéssica Moreira Fernandes, Letícia Aparecida de Souza Silva, Vivian Aline Preto

Resumo


Introdução: Com o processo de envelhecimento, são previsíveis modificações multifatoriais no ser humano, fato que proporciona grandes impactos na qualidade de vida da pessoa idosa (NETO et al., 2018). Destaca-se como consequência dessas mudanças, a prevalência dos acidentes domésticos, chamando atenção para o crescente número de óbitos entre os idosos por quedas em domicílio. Este trabalho buscou descrever a prevalência da mortalidade dos idosos por acidentes em residência, em especial as quedas, tornando necessário perceber as causas dessas mortes, a fim de auxiliar na elaboração de medidas preventivas e na promoção da qualidade de vida desta população. Metodologia: Realizou-se uma pesquisa quantitativa analítica, com coleta de dados através do Sistema de Informações de Saúde (TABNET) – DATASUS entre os anos de 2010 a 2018, em julho de 2020. A população selecionada foi a de idosos com 60 anos ou mais que foram a óbito por causas externas segundo o CID-10: Quedas em domicílios. Resultados e Discussão: Durante os anos de 2010 a 2018 foram registradas 7.719 declarações de óbitos de idosos no Brasil, tendo como a causa, as quedas em domicílio. Estes resultados mostraram que os acidentes domésticos dentre esta população, são alarmantes, já que, foi observado um crescimento exponencial entre os números no período analisado. Entre os primeiros anos da terceira idade, na faixa etária de 60 a 64 anos, foi registrado o menor índice de óbitos por quedas, um total de 579 (7%), já nas faixas etárias posteriores, percebeu-se que com o aumento da idade, elevou-se também, o índice de prevalência da mortalidade em razão deste agravo. Assim, chamando atenção para a faixa etária superior a 80 anos, em que seus números totalizaram 4.895, equivalente a 63% dos óbitos. Sabe- se, que à medida que a cada ano cresce a proporção de idosos na população pela redução da mortalidade infanto-juvenil, condicionam para acentuar a concentração das mortes em idades mais avançadas (NETO et al., 2018). De fato, é possível perceber que quanto maior a faixa etária, maior será a suscetibilidade a queda, uma vez que o envelhecimento é um processo degenerativo. Dessa forma, as causas desses acidentes são decorrentes de múltiplas condições da terceira idade, desde as alterações do próprio indivíduo (intrínseco), como a vulnerabilidade fisiológica, mudanças na percepção e equilíbrio, debilidade do sistema musculoesquelético, como também, pelas condições ambientais (extrínsecas), tais como escadas, degraus, má iluminação má disposição dos móveis, tapetes, pisos escorregadios e calçados inadequados (SANTOS et al., 2013). Evidentemente estes fatores isolados já proporcionam um grande risco de quedas, mas quando associados às características intrínsecas do indivíduo, aumenta-se ainda mais a chance da ocorrência de acidentes. Fato que, salienta a importância da identificação de tais fatores de risco no ambiente e no idoso, para que a família e/ou cuidador oriente este indivíduo e proporcione a sua casa em um ambiente mais seguro. Apesar do número de óbitos por causas externas entre a população idosa não ser o mais volumoso quando comparado aos totais de outras causas de morte, sabe-se que as taxas de mortalidade se mostram muito elevadas quando comparadas a outros grupos etários, e que há décadas é quase contínuo o crescimento nas taxas de mortalidade, o que tende a permanecer nos próximos anos no mesmo padrão (CAMARGO, 2016). Muitas dessas mortes estão associadas a problemas de saúde, como osteoporose, desequilíbrios, Alzheimer, Parkinson, entre outros que tendem a aumentar com o envelhecimento populacional, e que alguns fatores predispõem o risco a queda, destacando a idade acima 75 anos, sexo feminino, declínio na cognição, inatividade, fraqueza muscular, equilíbrio, marcha ou de mobilidade, visão comprometida, histórico de acidente vascular cerebral, de quedas e fraturas (NOGUEIRA et al., 2012). Estudos anteriores mostraram que os números de falecimentos de idosos por causas externas, o que inclui as quedas, praticamente dobrou no Brasil, revelando a necessidade de uma política mais rigorosa para reduzir essa mortalidade (CAMARGO, 2016). Outro fato, que chama atenção, é que segundo a Lista de causas de mortes evitáveis por intervenções do Sistema Único de Saúde do Brasil, as quedas se tratam de causas de morte evitáveis, o que define como preveníveis, totalmente ou parcialmente, através de ações efetivas dos serviços de saúde disponíveis e acessíveis (MALTA et al., 2010). Sendo assim, estes óbitos não deveriam ocorrer diante de adequadas e efetivas ações de prevenção, recuperação, diagnóstica e adoção de tecnologias apropriadas. Conclusão: Os dados analisados no período de 2010 a 2018 mostraram a ocorrência de 7.719 óbitos de idosos informados ao SIM por quedas domiciliares. Haja vista, a queda como o principal acidente doméstico causador de óbitos ou limitações, o que se faz essencialmente, um olhar atento para essa questão, já que, os dados apresentados evidenciaram que este problema só tende a se agravar gradativamente. Dessa forma, a prevenção de quedas se faz cada vez mais necessária, o que exige a identificação de seus fatores de risco, para mais, a orientação da família, do cuidador, e do profissional de saúde. Diante disso, tais resultados apontam a necessidade de desenvolvimento de ações que reduzam ou evitem acidentes domésticos na terceira idade, do mesmo modo, novas políticas públicas que atendam às demandas específicas desta faixa etária no Brasil, e ainda, mais estudos acerca da temática.


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Referências


NETO, J. A. C. et al. Percepção sobre queda e exposição de idosos a fatores de risco domiciliares. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 23, n. 4, p. 1097-1104, Abr., 2018.

Ministério da Saúde (BR). Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde. Informações de Saúde (TABNET) [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2020. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sim/cnv/obt10uf.def

SANTOS, J. D. S. et al. Identificação dos fatores de riscos de quedas em idosos e sua prevenção. Rev Equil Corp Saude. v. 5 n.2, p. 53-59, 2013.

CAMARGO, A. B. M. Idosos e mortalidade: preocupante relação com as causas externas. São Paulo, SP: FUNDAÇÃO SEADE, 2016.

NOGUEIRA, A. et al. Risco de queda nos idosos: educação em saúde para melhoria da qualidade de vida. Revista Práxis, v. 4, n.8, p. 77-81, ago., 2012.

MALTA, D.C. et al. Atualização da lista de causas de mortes evitáveis por intervenções do Sistema Único de Saúde do Brasil. Epidemiol Serv Saude, Brasília, v 19, n 2, p. 173-6, Jun., 2010.


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