A SEXUALIDADE NO PROCESSO DE ENVELHECIMENTO E A VISÃO DA COLETIVIDADE: ANÁLISE REFLEXIVA

Letícia Aparecida de Souza Silva, Maria Paula Bernardo dos Santos, Jéssica Moreira Fernandes, Daniele Catelan

Resumo


Introdução: É sabido que o processo de envelhecimento está intimamente ligado à diversas alterações importantes nos aspectos do ser humano, apesar disso, quando relacionado à sexualidade este processo não é inibidor das manifestações de sentimentos e sensações que também podem, sem dúvidas, ser vivenciados nessa fase da vida (OLIVEIRA, 2018). Não obstante, a sociedade blindada pelos preconceitos, acaba por marginalizar a sexualidade na terceira idade, produzindo estigmas acerca das vivências afetivas destes indivíduos. O objetivo deste estudo foi então, relacionar a sexualidade ao processo de envelhecimento atrelado à visão da coletividade através de uma análise reflexiva da literatura, identificando as características de produções e discussões anteriormente realizadas acerca desta temática. Metodologia: A metodologia utilizada na análise dos dados da pesquisa foi de rastreio teórico, pois se valeu de revisão bibliográfica. O processo de coleta do material foi realizado no mês de julho de 2020, dando preferência a referências que abordassem o tema de maneira integral, e por fim, optando por exclusão àquelas realizadas no período maior de 5 anos. Resultados e Discussão: Atualmente, observa-se muitas abordagens envolvendo o envelhecimento e a sexualidade em seus amplos aspectos e sondagens, contudo, a perenidade da prática sexual em idosos pouco é discutida e, às vezes, até ignorada pela sociedade; sendo assim, discussões acerca deste tema constituem sempre um grande desafio. Expõe-se então a necessidade de levantar questões expressivas relacionadas a isto, visto que a prática sexual na terceira idade é, de fato uma realidade, feito comprovado em pesquisas realizadas em diferentes espaços aos quais os idosos estão inseridos, onde os mesmos discorrem claramente que o interesse e a prática sexual nesta faixa etária é mais extenso do que a sociedade pensa. Neste mesmo direcionamento, essas delimitações que se relacionam à libertinagem do idoso podem ser justificadas pelo fato de que a sociedade ainda traz resquícios de um processo histórico, onde a prática sexual muitas vezes é influenciada pela ação de diversas instituições, a título de exemplo: escolas, igrejas e mídias em geral (UCHÔA, 2016); onde de certa maneira, alimentam a ideia de que o sexo é algo pecaminoso, principalmente quando sua prática não é atribuída ao matrimônio, ou ainda reforçam antigos conceitos que delimitam a prática sexual a um único objetivo: a reprodução; diante dessas e diversas outras razões, a sexualidade na terceira idade é mais uma vez desacreditada pelos conceitos sociais equivocadamente construídos no decorrer do tempo (UCHÔA; VIEIRA, 2016; ROZENDO, 2015). De fato, o idoso deve sentir-se confortável para expressar suas emoções e necessidades, sem ficar temeroso ou envergonhado ao discutir a respeito da sexualidade; já que a mesma se trata de uma expressão fulcral da vida do ser humano e está relativamente ligada a aspectos importantes na prevalência do bem-estar. Nessa premissa, a sexualidade também é elemento fundamental ao tratar-se dos cuidados direcionados à pessoa idosa, porém, é tema pouco explorado em serviços de saúde devido a obscuridade sobreposta sobre o mesmo, o que de fato pode gerar considerações negativas. De acordo com Araújo (2018), dentre os aspectos da saúde, do bem-estar e da qualidade de vida, a vida sexual ocupa uma posição de notoriedade, todavia, também infere em questões de saúde pública, visto que os idosos praticam, costumeiramente, comportamentos de risco, tornando-se vulneráveis por exemplo, às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), o que consequentemente faz ocorrer a deterioração tanto de sua longevidade quanto do seu status de saúde, fato comprovado pelo aumento progressivo dessas doenças nesta faixa etária. Diante dessas perspectivas, a ideia de que a sexualidade é algo inexistente na velhice, desperta um cenário alarmante, dado que, o aumento da estrutura etária é uma realidade nos dias atuais, e em conjunto a isto cresce também a necessidade de abordagens mais eficazes que requerem de fato, a promoção da saúde; neste contexto, a educação em saúde torna-se uma ferramenta crucial, pois traz consigo estratégias que possibilitam a compreensão mais abrangente e adequada sobre a vivência da sexualidade na terceira idade, de maneira que os preconceitos enraizados na sociedade sejam desconstruídos, tornando viável à promoção da saúde e bem-estar do ser humano em todas as fases da vida, respeitando seus conceitos, autorrealizações e autonomias. Conclusão: Frente a isso, entende-se que, apesar de o processo de envelhecimento ser tema de pesquisas nas mais diversas áreas do conhecimento científico, quando relacionado especificamente às questões de vivência da sexualidade, ainda verifica-se a existência de bloqueios significativos, visto que, a prática sexual na velhice ainda é tema de grande negligência, trazendo impossibilidades na construção de maiores pesquisas nesta vertente. Diante do exposto, torna-se essencial a ampliação de estudos que impliquem essas discussões, subsidiando o fortalecimento dessas reflexões no meio social e assistencial, quebrando paradigmas em prol do envelhecimento ativo e saudável.


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Referências


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VIEIRA, K. F. L.; COUTINHO, M. P. L.; SARAIVA, E. R. A. A sexualidade na velhice: representações sociais de idosos frequentadores de um grupo de convivência. Revista Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 36, n. 1, p. 196-209, 2016. Disponível e m : https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414- 98932016000100196&lng=pt&tlng=pt. Acesso em: 09 julho 2020.

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ARAÚJO, Cristiana Alessandra Domingos de. Ser Idoso, Sexualidade E Cuidados Preventivos No Atual Cenário Da Maior Longevidade E Envelhecimento Populacional: Estudo De Caso No Município De Natal/RN. Orientador: Mirela Castro Santos Camargos. 2018. 185 f. Tese (Doutorado em Demografia) - Programa de Pós-graduação em Demografia, Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2018. Disponível em: http://hdl.handle.net/1843/FACE-B4SPSG. Acesso em: 09 julho 2020.


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