A TERAPIA PELA ARTE NA VIDA DE UMA IDOSA: UM RELATO DE CASO

Giovanna Maiolli Signori, Bruna Klering Barros, Cynthia Goulart Molina

Resumo


Introdução: De acordo com o Ministério da Saúde, em 2017, Portaria Nº 849, a terapia pela arte ou arteterapia faz uso de diversas técnicas expressivas como pintura, desenho, sons, música, modelagem, colagem, mímica, tecelagem, expressão corporal, escultura, dentre outras. Pode ser realizada de forma individual ou em grupo. Baseia-se no princípio de que o processo criativo é terapêutico e fomentador da qualidade de vida. A arteterapia estimula a expressão criativa, auxilia no desenvolvimento motor, no raciocínio e no relacionamento afetivo. A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia afirma baseado na Organização Mundial da Saúde que a qualidade de vida é a percepção que o indivíduo tem de sua posição na vida dentro do contexto de sua cultura e do sistema de valores de onde vive, e em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. É um conceito muito amplo que incorpora de uma maneira complexa a saúde física de uma pessoa, seu estado psicológico, seu nível de dependência, suas relações sociais, suas crenças e sua relação com características proeminentes no ambiente. Nesse sentido, esse trabalho tem como objetivo relatar o acompanhamento da terapia pela arte na vida de uma idosa. Relato de caso: Foram realizadas seis visitas domiciliares, entre os meses de setembro e outubro de 2020, a uma idosa de 64 anos vinculada à UBS União, do bairro Mathias Velho, do município de Canoas, Rio Grande do Sul. A família, atualmente, é composta pela idosa G.A.S, branca, 64 anos, escolarizada com ensino médio completo e seu esposo A.S., branco, de 75 anos. Eles são casados há 37 anos e possuem três filhos. Ela tem gastrite, é hipertensa, tem dislipidemia, é diabética tipo 2, tem Transtorno de Ansiedade Generalizado (TAG). Em 2004, a idosa teve um Ataque Isquêmico Transitório (AIT). A idosa passou por vários procedimentos cirúrgicos: um cateterismo, uma adenoamigdalectomia, uma colecistectomia, uma apendicectomia e uma histerectomia. Tem consciência de seus procedimentos realizados e de seus fármacos de uso diário. Prescritos pelo médico de família da UBS, ela faz uso dos fármacos Enalapril, Sinvastatina, Metformina, Pregabalina, Lixiana, Ácido Acetilsalicílico e Isordil. Há quinze anos, a senhora G.A.S. realiza artetarapia que foi indicada devido ao AIT e ao TAG. Em 2011, criou um grupo no salão da igreja evangélica para que outros idosos pudessem aproveitar e aprender os benefícios da terapia pela arte. A idosa sempre demonstrou muito entusiasmo quando questionada sobre as atividades que costuma realizar, como pintura, artesanato, escultura com argila, entre outros. Ademais, quando perguntada sobre os benefícios que a arteterapia trouxe para a sua vida, a senhora relatou que “é muito realizador ensinar para os outros e poder mudar tanto a minha vida quanto a deles para melhor. Foi relato durante as visitas domiciliares pela idosa que, mesmo sendo muito importante para o desenvolvimento e melhora das suas condições físicas, psíquicas e motoras, a maior recompensa que a terapia pela arte a trouxe não é apenas em relação ao seu aprendizado em si, mas sim em relação à troca de felicidade entre ela, seus colegas, suas professoras e seus alunos. Considerações finais: O benefício que a arteterapia traz para os idosos corresponde positivamente com a literatura encontrada, servindo como método para melhorar a qualidade de vida dos indivíduos idosos, como foi visível na experiência com a G.A.S. Sendo assim, a terapia pela arte vem sendo utilizada por profissionais da saúde e da educação, nas tarefas de compreensão conteúdos emocionais e físicos, melhorando efetivamente na autopercepção de felicidade dos idosos. Portanto, conclui-se que a arteterapia oferece subsídios para que, tanto a G.A.S quanto os idosos da comunidade do grupo da igreja evangélica, desenvolvam a adoção de novas posturas, a ressignificação do ato de envelhecer e de felicidade. Assim, tem-se um reforço do vínculo com a comunidade em que ela pertence e com a UBS. Dessa forma, com a terapia pela arte, ela pode se dedicar à construção um envelhecimento ativo e mais gratificante, melhorando a qualidade de vida da idosa.

 


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