A UTILIZAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS E AUSÊNCIA DE PSICOTERAPIA EM IDOSOS SEM PATOLOGIA ESPECÍFICA

Cláudia Carolina da Silva Coelho, Marilei Silva

Resumo


Introdução: Neste trabalho objetivamos investigar as consequências da utilização de psicofármacos por idosos com envelhecimento saudável, analisar os impactos dessa utilização na qualidade de vida da população idosa, verificar o nível de conhecimento quanto às medicações utilizadas e identificar os motivos que conduzem idosos saudáveis a utilizar psicofármacos.

Analisar as consequências do uso em demasia desses remédios pela população idosa tem reflexos diretos no que diz respeito à saúde e bem-estar desses indivíduos. Em contrapartida, negar a importância dessas indagações pode comprometer o cuidado com esse público.

Suscitar discussões a respeito da utilização de psicotrópicos por idosos com envelhecimento saudável, bem como mostrar seus impactos na qualidade de vida dos mesmos, podem ser relevantes para profissionais e acadêmicos da área da saúde e desenvolvimento humano, além de oferecer conhecimentos para a sociedade, a fim de evitar danos à saúde da população.

O envelhecer é uma etapa da vida tal como infância, adolescência e fase adulta sinalizada com transformações biopsicossociais, relacionadas à passagem do tempo 2. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), são consideradas idosas as pessoas com idade equivalente a 60 anos ou mais, podendo variar de acordo com as condições de cada país.

Além das mudanças fisiológicas, o envelhecimento também vem acompanhado de várias alterações psicológicas que podem acarretar falta de motivação, dificuldade de adaptação à novos papeis e a mudanças rápidas, além de alterações psíquicas como depressão, ansiedade e somatização que podem necessitar de tratamento 3.

O envelhecimento é um processo, a velhice é fase da vida e o velho ou idoso é o resultado do processo. Sendo assim, estão interligados entre si4.

Esse processo é natural, individual, universal e não patológico. E são os idosos que compõe a população que mais se amplia no Brasil5.

O número de idosos no Brasil teve um aumento próximo de 700% entre os anos de 1960 e 2008. Estudos apontam que, em 2020, o país estará na 6ª posição no mundo em quantidade de idosos 6.

Segundo dados do IBGE 7 (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população idosa no Brasil, teve um aumento percentual de 295% de 1980 para 2010, saltando de 4.772.009 para 14.077.778 pessoas idosas.

Em todas as culturas, o homem usufruía de ingredientes naturais a fim de alterar sua realidade. Eram considerados calmantes, estimulantes, extasiantes ou soníferos. Muitas outras substâncias até os dias de hoje são usadas, por exemplo, para reduzir a fome, aliviar o sofrimento, suspender a exaustão8.

Contudo, a utilização destas substâncias se acentuou a partir do século XX, depois da criação da psicofarmacologia moderna, com os esforços de Emil Kraepelin 8.

A psicofarmacologia moderna originou-se após a Segunda Guerra Mundial, ao final da década de 40, momento em que foram adotados os primeiros medicamentos com o propósito de controlar transtornos psiquiátricos8.

Os            psicofármacos,         também   conhecidos           como                psicotrópicos,           psicoativos        ou psicoterapêuticos são substâncias de ação no sistema nervoso central8.

Os psicotrópicos são substâncias que produzem alterações na função psicológica, modificando a condição mental do sujeito. À esta classe de medicamentos estão compreendidos os antidepressivos, alucinógenos, ansiolíticos e antipsicóticos 9.

A análise dos textos selecionados indica que grande parte dos idosos utiliza de medicamentos psicotrópicos, no entanto, nem sempre têm informações suficientes, o que acaba gerando outras complicações.

Muitas pessoas têm preferência pela utilização de substâncias do que dizer sobre seus problemas10.

A psicoterapia pode transformar a vida da pessoa idosa, oferecendo oportunidades de prazer, ressignificando o processo de envelhecer10.

A psicologia pode ter uma colaboração importante nesta fase da vida, pois compreende a pessoa envelhecida em sua nova forma de ser e estar no mundo11.

Metodologia: Para tanto, optamos por realizar uma revisão narrativa da literatura como definido por SCORSOLINI-COMIN1, a partir dos trabalhos obtidos na base de dados Periódicos- CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), buscando pelos descritores: idosos, psicofármacos e psicoterapia. Foram considerados 23 trabalhos (22 artigos e 1 livro) publicados em língua portuguesa nos últimos vinte anos (1999-2019).

 

Resultados e discussão: A medicação, quando vista como única forma de tratamento, parece extinguir as possibilidades do idoso de permitir conhecer-se e expor suas angústias relacionadas à fase final da vida.

A psicologia tem muito a contribuir com a qualidade de vida e promoção de saúde mental da população idosa, atribuindo valor à história dessas pessoas.

Conclusão: Sendo assim, o psicólogo toma uma posição de escuta dos indivíduos, possibilitando-lhes resgatar sua identidade e autonomia que lhes são retirados ao longo dos anos ou até mesmo nas instituições de longa permanência.

Incube aos demais profissionais a função de propagar informação e incentivar a busca por psicoterapia, sobretudo na terceira idade.


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Referências


SCORSOLINI-COMIN, Fabio. Guia de orientação para iniciação científica. São Paulo: Editora Atlas SA, 2014.

FERREIRA, Olívia G. L; MACIEL, Silvana Carneiro; SILVA, Antonia O.; SÁ, Roseane C.; MOREIRA, Maria Adeaide S. P. Significados atribuídos ao envelhecimento: idoso, velho e idoso ativo. Psico-USF, 15(3), 357-364. Disponível em < http://www.scielo.br/pdf/pusf/v15n3/v15n3a09.pdf> Acesso em: 10 out. 2018.

LIMA, Alisson P.; DELGADO, Evaldo I. (2010). A melhor idade do Brasil: aspectos biopsicossociais decorrentes do processo de envelhecimento. ACTA Brasileira do Movimento Humano, 1(2). Disponível em:

Acesso em: 31 out. 2018.

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