CUIDADOS PALIATIVOS NO IDOSO: A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NESSA PRÁTICA ASSISTENCIAL.

Bruna Borges Santos, Jéssica Martins Pimenta Miranda, Beatriz Marques Barbosa Louro, Nathália Tenório de Holanda Cabra Costa

Resumo


Introdução: Com o passar dos anos, o avanço tecnológico proporcionou inúmeras melhorias na área da saúde permitindo o crescente envelhecimento da população mundial. O aumento da longevidade é paralelamente acompanhado do aumento no número de doenças crônicas que nos pacientes idosos, podem não responder tão eficazmente ao tratamento devido às limitações orgânicas. Entretanto, é importante ressaltar que o prolongamento da vida nem sempre é realizado sob uma perspectiva positiva para o paciente, ocasionando sofrimento ao doente nos casos de obstinação terapêutica¹. Na busca da promoção de um cuidado digno nas situações em que a doença já não apresenta chances de cura é que os cuidados paliativos surgem. O termo “cuidados paliativos”, é usado para descrever as medidas de conforto que são oferecidas por uma equipe de saúde com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do paciente. O termo é derivado do latim pallium (“manta”), que remete à ideia de amparo e proteção. Os cuidados paliativos são dirigidos a pacientes portadores de neoplasias, ou doenças crônico-degenerativas que não possuem perspectiva de cura. A atenção é direcionada para a pessoa doente, para sua história de vida e contexto familiar, para sua percepção acerca da enfermidade, buscando dessa forma proporcionar conforto psicológico, social e espiritual a todos os envolvidos2. A família faz parte do processo de cuidado ao idoso, sendo assim, fica clara a necessidade de entender, qual a importância e influência da família dentro dos cuidados paliativos? Metodologia: Trata-se de uma revisão dos estudos publicados nas principais bases de dados (Lilacs, Pubmed e Scielo), utilizando os descritores: “cuidados paliativos”, “família” e “idosos”. Foram utilizados “AND” e “OR” para associação dos descritores, incluídos trabalhos publicados nos últimos 10 anos (2010-2020) e excluídos trabalhos que não apresentavam versão em inglês ou português. Resultados e discussão: Os cuidados paliativos são essenciais, pois o processo de paliar enfoca na minimização do sofrimento diante da finitude da vida. Garantir qualidade de vida é fundamental para que o idoso possa aproveitar da melhor forma seus familiares, realizar suas atividades, tentando levar a vida da forma mais natural e saudável possível dentro das suas possibilidades. Tal procedimento deve ser feito baseado nos princípios que norteiam essa abordagem e são eles: promover o alívio da dor e outros sintomas desagradáveis, afirmar a vida e considerar a morte como um processo normal, não acelerar e nem adiar a morte, integrar os aspectos psicológicos e espirituais no cuidado ao paciente, oferecer um sistema de suporte que possibilite o paciente viver tão ativamente quanto possível, oferecer sistema de suporte para auxiliar os familiares durante a doença do paciente e a enfrentar o luto, realizar abordagem multiprofissional para focar as necessidades dos pacientes e seus familiares incluindo acompanhamento no luto, melhorar a qualidade de vida influenciando positivamente o curso da doença e iniciar os cuidados paliativos o mais precocemente possível.³ Sendo assim, as opções de tratamento a serem realizados dependerão do contexto social e familiar ao qual este idoso estará inserido2,3. Entender a doença e as necessidades do doente é fundamental, bem como saber se há um alicerce familiar bem estruturado, especialmente no momento em que a equipe vai lidar com uma notícia difícil, como por exemplo, o diagnóstico de uma neoplasia. A família, na maioria dos casos, constitui a principal rede de apoio e proteção ao indivíduo em seu cotidiano. Assim sendo, ter um núcleo de apoio bem estruturado que acolha e proporcione o suporte emocional necessário ao idoso é fundamental para lidar com uma situação de elevado estresse4. Outro ponto importante para destacar é que nem sempre a escolha do idoso prevalece ou é colocada em primeiro lugar, em alguns contextos a pressão familiar tem maior peso. As mudanças no cotidiano e a sobrecarga física e emocional enfrentadas pelo cuidador refletem na tomada de decisão do idoso, especialmente sobre o local escolhido para viver o processo de morte. Uma pesquisa bibliográfica realizada a partir da coleta de dados na biblioteca virtual de saúde apontou que alguns idosos vivenciam seu processo de morte e morrer em ambiente hospitalar, quando na verdade preferiam o ambiente domiciliar e mesmo que seus familiares também concordem que viver esse processo em casa seja mais acolhedor, eles optam por permanecer no hospital porque consideram serem um fardo para a família ou percebem o medo que os familiares apresentam diante da idéia de morrer em casa5. A escolha do ambiente hospitalar pode parecer mais segura para o familiar frente ao processo de morte, além disso, pode ser retrato da sobrecarga enfrentada pelo cuidador. Um estudo realizado com familiares de pacientes em cuidados paliativos no Hospital Santa Marcelina, São Paulo, apontou maior risco de sobrecarga nos cuidadores que moravam com o paciente, reflexo de estarem em grande parte do tempo em contato direto com o paciente e consequentemente mais envolvidos com os cuidados diários do mesmo. Sendo assim, este cenário pode levar o idoso a escolher o hospital visando o melhor conforto e menor trabalho ao seu cuidador6. O enfrentamento do diagnóstico do idoso com doença sem possibilidade de cura é consequência das experiências de perda vividas por cada família. É importante a família buscar enfrentar a morte como um processo natural e pertencente a uma etapa da vida. Portanto, tão necessário quanto os cuidados prestados ao paciente é também o suporte oferecido pela equipe multidisciplinar ao familiar que necessita de orientação quanto as questões que envolvem os cuidados paliativos7. Em uma pesquisa realizada em 2015, em um hospital especializado em diagnóstico e tratamento de doenças cardíacas e pulmonares localizado em Fortaleza/CE, notou-se, que mesmo quando a família entendia o diagnóstico e prognóstico do paciente em cuidados paliativos, ela não sabia o significado do termo paliativo. Esse não entendimento sobre cuidado paliativo por parte dos familiares pode refletir de maneira direta nas futuras tomadas de decisão a respeito da escolha do melhor tratamento. Por vezes a família pode entender que a equipe não está oferecendo o máximo para salvar a vida daquele paciente. Em casos de dispneia, por exemplo, intervenções não-farmacológicas relativamente simples são utilizadas, como uma janela aberta ou uma ventoinha que proporcione uma corrente de ar no rosto. Para uma família bem esclarecida, fica evidente que a equipe não está deixando de prestar os cuidados adequados, mas sim lhe proporcionando o melhor tratamento para aquela situação evitando medidas desconfortáveis, invasivas e que no final não mudarão o curso da doença8. Conclusão: A família exerce forte influência na tomada de decisões do paciente idoso em cuidados paliativos. Devido a sobrecarga emocional – o medo do sofrimento e da morte de um familiar - e a sobrecarga física do cuidador, o idoso ao fazer escolhas sobre o seu processo de cuidado, prioriza, por vezes, o bem-estar do seu familiar em detrimento das suas preferências. Diante das dificuldades citadas, fica evidente o papel da equipe multiprofissional quanto a um melhor atendimento e acompanhamento dos familiares, priorizando sempre uma comunicação clara e eficiente que garanta informações suficientes para um melhor suporte da família ao idoso, nas questões que envolvem os cuidados paliativos.


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Referências


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da Área de Saúde. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 37, n.1, p.120-125, 2013. 2 - ACADEMIA DE CUIDADOS PALIATIVOS. Manual de Cuidados Paliativos. 2° ed, 2012.

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- GONÇALVES, A.; NUNES, L.; SAPETA, P . Controle da dispneia: estratégias, farmacológicas e não- farmacológicas, para o seu alívio num contexto de cuidados paliativos. 2012. 27f. Dissertação de mestrado. Instituto Politécnico de Castelo Branco Escola Superior de Saúde Dr. Lopes, Castelo Branco, 2012.


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