DESAFIOS ENTRE A COMUNICAÇÃO MÉDICA E O PACIENTE IDOSO: DA GRADUAÇÃO À PRÁTICA DA CLÍNICA MÉDICA

Lívia Maria Ferreira da Silva, Gabrielle Sanches Martin, Sophia Picoli Aleixo, Thayara Fernanda Ribeiro Faria

Resumo


Introdução: A comunicação é um aspecto inerente à condição humana. Quando a ênfase é colocada na relação médico-paciente numa perspectiva geral da medicina, essa realidade tem sido amplamente discutida, levantando-se aspectos relacionados à empatia, humanidade e acolhimento por parte do médico e da equipe multidisciplinar de saúde. Os quatros pilares da ação terapêutica implementados pelo Sistema Único de Saúde (SUS): acolhimento, escuta, suporte e esclarecimento, não são abordados com tanta frequência em práticas durante a formação acadêmica, ficando apenas no âmbito teórico. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), idoso é todo indivíduo com 60 anos ou mais, sendo assim, quando um médico depara-se com um idoso, está diante de mais um desafio, tendo em vista que essa população é muitas vezes negligenciada devido a vários fatores socioculturais, principalmente pela baixa escolaridade relacionada à dificuldade de interpretação de prescrições médicas, fazendo com que os profissionais de saúde necessitem de uma adequação durante o atendimento, por exemplo, nos receituários médicos, para que haja uma melhor compreensão do paciente idoso. Somado a isso, temos o fato de que a epidemiologia mostra o crescimento constante da população idosa. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir de 2047 a população deverá parar de crescer, contribuindo para o processo de envelhecimento populacional – quando os grupos mais velhos ficam em uma proporção maior comparados aos grupos mais jovens da população (1). Diante disso, a equipe de saúde de um modo geral deve preparar-se para interpretar esses pacientes durante o atendimento através do uso das formas verbais e não verbais de comunicação levando em conta inclusive expressões faciais e linguagens corporais visando o acolhimento da melhor forma possível, considerando suas limitações impostas pela idade, tais como diminuição da acuidade visual e auditiva além das dificuldades de interpretação citadas anteriormente. Através dessa abordagem específica para a população idosa será possível propor um atendimento integral das enfermidades do paciente. Metodologias: Busca de dados epidemiológicos através do IBGE e revisão bibliográfica realizada com SciELO, LILACS e PubMed, entre os anos 2010 e 2019. Discussão: Devido à mudança epidemiológica que configura a situação do Brasil, tem ocorrido um aumento no número de idosos e consequentemente alguns aspectos têm recebido grande importância, tal como a receptividade dos serviços de saúde perante ao idoso e seus familiares que podem o acompanhar, já que estes pacientes com suas doenças crônicas e comorbidades, procuram com frequência os serviços de atenção primária à saúde e também os cuidados de emergência. Em ambas as situações podem ocorrer dificuldades e inclusive falhas na comunicação devido à uma abordagem que não leva em consideração as peculiaridades dos pacientes idosos. Além disso, outra barreira é o tempo disponível para atender este paciente fazendo com que algumas das suas demandas não sejam ouvidas por falta de oportunidade no momento da consulta. Com a idade avançada, muitos idosos também começam a desenvolver problemas cognitivos (demência senil, Alzheimer, distúrbios mentais), o que dificulta a comunicação. Conclusão: Com o aumento da expectativa de vida, os indivíduos ficam sujeitos a alterações morfofisiológicas naturais, o que propicia um aumento na procura de serviços de saúde. Ao se deparar com um paciente idoso, é necessário levar em consideração sua alta complexidade no tratamento, precisando então de um cuidado individualizado e especial em todos os níveis de atendimento e durante todas as etapas do cuidado, sendo assim, a relação médico-paciente idoso precisa ser fortalecida e diferenciada considerando a sua condição biopsicossocial.




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Referências


IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Caminhos para uma melhor idade: as decisões diante do envelhecimento populacional. Retratos a revista do IBGE. FEV 2019. N. 16 PÁG. 22

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