EDUCAÇÃO CONTINUADA: O STORYTELLING NA QUALIDADE DE VIDA DOS IDOSOS COM O USO DAS TICS

Carolina Rego Chaves Dias, Emilly Nery da Silva, Débora Alcina Rego Chaves

Resumo


Introdução: A educação continuada para os idosos, nos espaços  da  Universidade  Aberta  à Terceira Idade (UATI), com uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), estimula a cognição e proporciona a saúde e o bem-estar, fortalecendo as relações sociais e as práticas, através da inclusão digital. As vivências com os recursos tecnológicos mantêm as relações com outras pessoas, com o mundo, e agrega novos conhecimentos1. Nesse sentido,  o  uso  do storytelling ou da “contação de histórias” constitui-se como intervenção inovadora, enquanto ferramenta cuidativo-educacional que pode agregar benefícios à qualidade de vida do indivíduo2, associada ao uso das TICs. As narrativas podem estimular a cognição e a memória dos idosos, além de possibilitar diálogos estimulantes em interação social e compartilhamento de saberes, ressignificando o processo de viver envelhecendo3. Diante disso, o objetivo deste trabalho é relatar as experiências vivenciadas por integrantes de um projeto de extensão sobre o uso do storytelling, associado às TICs, enquanto ferramentas para a educação continuada na qualidade de vida dos idosos. Metodologia: Trata-se de um relato de experiência desenvolvido por integrantes  do projeto de extensão (discente do curso de Licenciatura em Química e docente do curso de Sistema de Informação) intitulado “Aprenda com storytelling: criando recursos multimídias para utilização de vídeoaulas com a terceira idade sobre a tecnologia da informação e comunicação”, de uma universidade pública do estado da Bahia, em parceria com uma graduanda do curso de Medicina.  As atividades aconteceram no ano de 2019, sempre às quintas-feiras, à tarde, com 22 alunos da UATI. Foram utilizadas algumas ferramentas para subsidiar as atividades, como: Power Point (para edição de imagens), Openshot (editor das cenas narrativas), além de dispositivos móveis e de uma câmera filmadora. Todo material era disponibilizado em um ambiente virtual para acesso do grupo. Resultados e Discussão: Para a inclusão destes alunos, foram realizadas vídeoaulas sobre os conteúdos técnicos das ferramentas que seriam utilizadas durante a produção dos conteúdos com as narrativas digitais. Na produção dessas histórias, os alunos aprendem e repassam os conhecimentos na leitura, na prática do trabalho computacional – incluindo as gravações e edições

-, na criação dos roteiros para os storytelling, com o uso da lousa eletrônica. Na definição Pragmática, o storytelling é a tecnarte de elaborar e encadear cenas, dando-lhes um sentido envolvente que capte a atenção das pessoas e enseje a assimilação de uma ideia central4. Nesse sentido, durante as atividades, foram observadas características que implicaram na melhora da qualidade de vida, como: o aumento da confiança e da autoestima, a redução da depressão e da solidão, o aprimoramento da coordenação motora, além do estímulo da cognição. Quando estavam nos processos criativos das oficinas, não havia relato de queixas de dores ou de tristeza. Assim, a educação em saúde torna-se um ato vivo que inclui os saberes que organizam as ações humanas e estimula com que os participantes desenvolvam atitudes para o cultivo do envelhecimento ativo, por meio de reflexão sobre conhecimentos úteis ao estilo de vida e aos comportamentos de autocuidado emancipatório do próprio envelhecer5-7. Conclusão: A educação continuada configura-se como oportunidade fundamental para a inclusão digital dos idosos, visto que as atividades envolvem os participantes na construção e no aprendizado técnico para o planejamento e a construção das histórias. Nesse sentido, o uso do storytelling constitui-se como estratégia inovadora aplicável as ações em saúde, para a promoção de um envelhecimento ativo e saudável, fortalecendo as amizades, estimulando a memória, elevando a autoestima, incitando o autorrelacionamento entre eles, promovendo, assim, melhor qualidade de vida.

 


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Referências


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