FATORES ASSOCIADOS À DEPRESSÃO EM IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

Luiza Dandara de Araújo Felix, Thairon Henrique dos Santos

Resumo


Introdução: O envelhecimento populacional é um fenômeno de abrangência mundial. No Brasil, o crescimento da população idosa resulta da combinação das variáveis demográficas com as profundas alterações sociais e culturais ocorridas nos últimos anos1. Em decorrência desse fenômeno demográfico, a que se somam as dificuldades socioeconômicas e culturais que envolvem os idosos, seus familiares e/ou cuidadores, o comprometimento da saúde do idoso e da família, a ausência de cuidador no domicílio e os conflitos familiares, cresce a demanda por Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI)1,2. O contexto institucional favorece ao idoso vivenciar perdas em vários aspectos da vida, aumentando a vulnerabilidade a quadros depressivos que podem desencadear desordens psiquiátricas, perda da autonomia e agravamento de quadros patológicos preexistentes que, invariavelmente, culminam em perdas das capacidades social e funcional2. O quadro depressivo caracteriza-se como um distúrbio de natureza multifatorial, envolvendo aspectos de ordem biológica, psicológica e social, tendo como principais sintomas o humor deprimido e a perda de interesse ou prazer para atividades que antes lhe eram prazerosas, bem como baixa adesão a novas atividades3. Métodos: Realizou-se uma busca na literatura das bases de dados PUBMED, SciELO e Science Direct, a partir das palavras-chave: idoso, depressão e Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI). Foram incluídos 7 artigos originais, publicados nos últimos 5 anos e pertinentes ao objetivo do estudo. Resultados/Discussão: Segundo a OMS, a depressão é considerada um grave problema de saúde pública, e estima-se que 154 milhões de pessoas sejam afetadas em todo o mundo. A prevalência mundial de depressão em idosos institucionalizados varia de 14% a 42%. A prevalência de sintomas depressivos entre moradores de ILPI é mais elevada do que entre aqueles que moram com suas famílias3. Sendo que, no Brasil, a prevalência de sintomas depressivos nessa população varia entre 21,1% e 61,6%4. Isso porque o contexto institucional favorece ao idoso a vivência de alterações em vários aspectos da vida, sobretudo, no âmbito funcional e sócio-familiar5. Essas alterações são influenciadas por fatores de ordem sociodemográfica, que lidam diretamente com acesso aos serviços de saúde, apontando um pior prognóstico quando o acesso é menor; por fatores que abrangem as condições de saúde, em que evidencia-se um pior prognóstico quando há comorbidades como Acidente Vascular Encefálico (AVE), presença de dor crônica, ou outros fatores que alterem a capacidade funcional, tais como neuroticismo, deficiência visual ou desnutrição3. A experimentação do sentimento de insatisfação em conviver com o desconhecido e seguir uma rotina de horários, perder parte do seu direito de escolha e o sentimento de não se sentir importante, corroboram às perdas somatizadas5. Também estão associados à depressão fatores como a dificuldade de criar vínculos e superar perdas, o abandono familiar e a perda de privacidade5,6. Em consonância, os sentimentos de solidão e abandono geralmente coincidem com o surgimento dos primeiros sintomas de rebaixamento do humor5. Outros fatores, como a dependência de terceiros e o isolamento social, também potencializam a vulnerabilidade aos quadros depressivos6. Ademais, a associação entre sintomas depressivos e acometimentos posteriores (doenças crônicas) é bimodal, de modo que a depressão pode precipitar o surgimento de doenças crônicas ou estas podem exacerbar sintomas depressivos por meio dos efeitos diretos na função cerebral ou através de alterações psicológicas e psicossociais, o que afeta de maneira significativa na qualidade de vida do idoso7.. Conclusão: A identificação e compreensão dos fatores associados à depressão em idosos residentes de ILPIs, favorece a determinação e implementação de fatores protetores ao transtorno depressivo (ex. convívio familiar regular, prática de atividades de lazer, hobbies). Além disso, a demonstração da associação entre tais variáveis pode nortear programas de assistência e de orientação dos profissionais envolvidos no contexto de institucionalização do idoso, o que beneficiará a qualidade de vida dos mesmos.


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Referências


NÓBREGA, I. R. A. P. et al. Fatores associados à depressão em idosos institucionalizados.

Rev. Saúde em Debate. v. 39, n. 105, p.536-550, 2015.

VAZ, S. F. A. A depressão no idoso institucionalizado. Universidade do Porto, 2019.

RAMOS, F. P. et al. Fatores associados à depressão em idoso. Revista Eletrônica Acervo Saúde / Electronic Journal Collection Health. v. 19, n. 239, p. 1-8, 2019.


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