FATORES ASSOCIADOS À DEPRESSÃO NO IDOSO INSTITUCIONALIZADO: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Gabriela Cruz de Castro, Karoline Barbosa Matias Silva, Lizia de Carvalho Freitas Silva, Paula Quintão de Souza

Resumo


Introdução: O interesse pela temática na velhice tem aumentado de forma significativa devido ao fenômeno do envelhecimento demográfico e, junto com isso, observa-se, também, um aumento no número da institucionalização dessa população. Nesse contexto, pode-se dizer que o idoso institucionalizado tem perdas de autonomia e um maior agravamento de patologias preexistentes, e isso aumenta a vulnerabilidade a quadros depressivos, a desordem psiquiátrica mais comum nessa faixa etária. Os sintomas de depressão no idoso são frequentemente negligenciados pelos profissionais da saúde. Além disso a depressão que afeta o idoso pode se expressar de forma atípica, dificultando ainda mais o diagnóstico. Diante disso, o objetivo desse trabalho é fazer uma revisão acerca dos fatores associados à depressão no idoso institucionalizado 1,2,3. Metodologia: Consistiu-se em uma seleção dos textos completos de artigos nas bases de dados Pubmed e Scielo, usando os seguintes descritores de acordo com o “Descritores em Ciências da Saúde” (DECS): Idoso; Saúde do Idoso Institucionalizado; Depressão. Os critérios de inclusão foram artigos publicados nos últimos dez anos, e após a leitura destes, alguns foram excluídos por não corresponderem a proposta do tema. Resultados e Discussão: A Organização Mundial de Saúde considera a depressão um grave problema de saúde pública e estima que 154 milhões de pessoas sejam afetadas em todo mundo. Os estudos de prevalência da depressão nos idosos mostram que a doença aumenta com a idade em geral, e possui maior incidência entre idosos institucionalizados, quando comparados com os idosos nas comunidades. Esse predomínio se explica por fatores que estão associados à institucionalização e ao processo de envelhecimento como um todo. Dentre os fatores ligados à institucionalização encontram-se o isolamento socioafetivo, a falta de apoio sociofamiliar, a solidão, as dificuldades em satisfazer as atividades de vida diárias, bem como os sentimentos de vazio, abandono, tristeza e medo. Além dessas razões, o risco demográfico (ruralidade, sexo, idade, estado civil, institucionalização, escolaridade, profissão e status socioeconómico) também está presente, junto aos riscos de saúde (doença física, número de doenças, doenças crônicas, incapacidades e deficiências, doença psíquica e ingestão de medicamentos depressores). Contudo, a relativa escassez de cuidados médicos mais atentos e dedicados nestas instituições, é uma provável causa para o aumento da prevalência de sintomas depressivos nos idosos institucionalizados 1,2,3,4. Conclusão: A institucionalização é responsável por gerar distúrbios negativos em diversas esferas na vida do idoso (social, cultural, familiar), bem como aumenta a distância da relação médico-paciente, o que agravam a prevalência de sintomas depressivos. Quando se fala de depressão em idosos, o diagnóstico e tratamento é negligenciado, sendo esta situação ainda mais grave quando se refere a idosos institucionalizados, onde o cuidado deveria ser mais próximo e o diagnóstico ser precoce.



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Referências


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