FATORES DE RISCO DE HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA EM IDOSOS NO BRASIL

Nathalia Freire Gilo, Luiz Eduardo Gomides de Souza, Fernanda de Carvalho Macedo Sousa, Helen Mariel Biazussi

Resumo


Introdução: A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica multifatorial, caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial (PA). No Brasil, é uma doença prevalente, fator de risco relevante para complicações cardiovasculares e causa de uma elevada morbidade e mortalidade da população idosa, uma vez que o envelhecimento acarreta naturalmente em um maior período de exposição a fatores de risco para doenças crônicas1. Esse estudo tem como objetivo, descrever os fatores de risco para ocorrência de HAS em idosos, assim como, a necessidade da mudança de hábitos de vida da população acometida. Metodologia: Trata-se de uma revisão narrativa, em que foram levantados artigos nas bases de dados Scielo, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), LILACS em julho de 2020, publicados no período de 2013 a 2019, utilizando os descritores “hipertensão”, “idosos” e “fatores de risco”. Resultados e Discussão: A análise dos fatores de risco para HAS foram abordadas em todos os estudos, em decorrência da doença apresentar-se por diversas causas que podem ser estratificadas em (i) não modificáveis (idade, predisposição genética, sexo e etnia) ou (ii) modificáveis (tabagismo, alcoolismo, obesidade, sedentarismo, fatores dietéticos). A iniciar pela idade, sabe-se que as alterações decorrentes do envelhecimento tornam o indivíduo mais propenso ao desenvolvimento de HAS, principalmente devido ao enrijecimento arterial2, sendo esta a principal doença crônica nessa população 3. Em relação à predisposição genética, há umas variedade de fatores poligênicos e ambientais que possam estar envolvidos na ocorrência de HAS, além do estilo de vida e hábitos em comum entre os familiares4. Na prevalência por sexo, estudos demonstraram que as mulheres antes da menopausa possuem valores de pressão arterial mais controlados do que os homens. Tal dado pode ser decorrente de uma percepção maior do cuidado com a saúde, além da tendência de aderir ao tratamento proposto5. E estima-se uma igualdade dessas taxas entre os sexos após a menopausa6. Segundo a literatura, indivíduos negros são mais propensos que os caucasianos à hipertensão7. Essa especificidade do campo da saúde da população negra pode decorrer de condicionantes sociais, devido a fatores étnicos e/ou socioeconômicos8. O tabagismo é fator deletério à HAS, pois a nicotina atua como vasoconstritor, induzindo a elevação da pressão arterial e diminuindo a oxigenação dos vasos  e  do miocárdio9. O consumo de álcool também eleva a pressão arterial, de forma lenta e progressiva, sobretudo em idosos, além de aumentar o risco da ocorrência de doenças cardiovasculares10. O aumento da PA, bem como o quadro hipertensivo arterial, também têm contribuição por parte do sedentarismo, visto que se atrelaça a fatores como diabetes, síndrome metabólica e obesidade11. Ainda, o estresse contínuo pode interferir no padrão alimentar do indivíduo, que passa a recorrer à uma alimentação hiperpalatável – rica em gorduras e açúcares, por exemplo, condição essa que propicia meios para a instalação de doenças cardiovasculares12. Conclusão: A multifatoriedade da hipertensão arterial – idade, predisposição genética, sexo, etnia, tabagismo, alcoolismo, obesidade, sedentarismo, fatores dietéticos – foi posta em análise para que pudessem ser medidos os riscos suscetíveis à população senil brasileira portadora da comorbidade. Reafirmou-se, acerca da imprescindibilidade da adequação aos hábitos de vida saudáveis, tal qual do reforço da abordagem multiprofissional, para a realização de um melhor tratamento.



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