FRAGILIDADE E COVID-19: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.

Maria Beatriz Abath Aires de Barros, Beatriz Bastos Motta Barreto, Ingrid Maria de Figueiredo Pordeus, Manuella Martins do Nascimento

Resumo


 Introdução: A fragilidade representa um estado inespecífico de risco aumentado de mortalidade e de eventos adversos de saúde, como a dependência, a incapacidade, as quedas e lesões, as doenças agudas, a lenta recuperação de doenças, a hospitalização e a institucionalização de longa permanência. Entre os vários modelos conceituais de fragilidade, o da redução na reserva funcional, envolvendo múltiplos sistemas orgânicos, é o que tem obtido melhor aceitação entre os pesquisadores da área. Nesse modelo, a fragilidade representa um estado de aumento de vulnerabilidade fisiológica, apresenta-se de forma heterogênea, está associada à idade cronológica e reflete alterações fisiológicas multissistêmicas com repercussões sobre a capacidade de adaptação homeostática.¹ A COVID-19 é uma doença causada pelo coronavírus, denominado SARS- CoV-2, que apresenta um espectro clínico variando de infecções assintomáticas a quadros graves. Entre as recomendações de prevenção à COVID-19 está o isolamento social.² Tais medidas estritas para proteger aqueles que são frágeis, sem avaliação cuidadosa, levarão muitos outros idosos a uma situação ainda pior. Isso se dá pelo fato de que muitos idosos irão encarar um grande isolamento social, depressão, desnutrição, diminuição de acesso ao cuidado, diminuição de atividade física e aumento no sedentarismo como resultado das medidas de prevenção à infecção. Portanto, mesmo idosos frágeis que não contrairão COVID-19 vão experienciar redução da qualidade de vida, progressão acelerada da fragilidade e piores desfechos clínicos.³ Para mais, não é claro como fragilidade afeta a apresentação e a recuperação do COVID-19, por mais que tal doença tenha afetado desproporcionalmente adultos mais velhos. Ainda nos falta conhecimento sobre os mecanismos fisiopatológicos e o impacto de diferentes estratégias no curso da doença em adultos.4,5 Assim sendo, esse trabalho tem como objetivo apresentar uma revisão bibliográfica sobre a associação do COVID-19 com a fragilidade. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura através das bases de dados Scielo e PubMed, utilizando os descritores "COVID-19" AND "fragilidade". Foram considerados os resultados a partir de 2018 em inglês ou português. Resultados e discussão: Entre os contextos que podem estar relacionados à alta prevalência de piores desfechos em indivíduos de idade avançada estão: muitos idosos estarem inseridos em um contexto de multimorbilidade, que consiste em indivíduos portadores de duas ou mais doenças crônicas. Isso influencia diretamente na fragilidade e mortalidade, com agravo ainda maior se associado a uma condição aguda, como a infecção pelo Sars-CoV-2³, e os adultos de meia idade e idosos apresentam maior predisposição para evoluírem com a Síndrome Respiratória Aguda Grave pelo coronavírus.6 Como a fragilidade está relacionada ao comprometimento da reserva homeostática, é de notória importância identificá-la em idosos com sintomas suspeitos a fim de identificar os indivíduos com risco aumentado para uma possível evolução desfavorável, pois se sabe que não há benefício com intervenção invasiva, cuidados intensivos, intubação orotraqueal e ventilação mecânica nos pacientes frágeis.4 De acordo com os estudos, portanto, os indivíduos com fragilidade só devem ser submetidos ao tratamento sintomático, com foco principalmente no seu conforto e de seus familiares.4 Do mesmo modo, é essencial identificar os pacientes idosos não frágeis ou com menor grau de fragilidade que ainda podem se beneficiar das medidas invasivas. Diante do exposto, é necessário intensificar ações de prevenção, buscando adiar o crescimento da fragilidade para evitar maiores consequências negativas em caso de infecção por Covid-19.6 Para mais, para manter uma qualidade de vida para os idosos, recomendam-se quatro práticas: socialização, a qual devido ao contexto da pandemia exige a utilização dos meios virtuais; manter níveis adequados de vitamina D, seja por meio da alimentação, suplementação ou durante momentos seguros de exposição solar; além da prática de atividades físicas e nutrição correta, que garantem maior qualidade de vida e contribuem para manter o sistema imunológico mais resistente.6 Conclusão: Portanto, por mais que não haja dados suficientes que relacionem piores quadros de COVID-19 à fragilidade, A COVID-19 é uma situação clínica que piora a fragilidade e por conseguinte aumenta a morbidade e mortalidade. Assim, já era de grande valia verificar se o idoso apresentava fragilidade antes e agora, durante a pandemia, ainda mais. Ademais, deve-se assegurar medidas para garantir melhores condições de saúde aos idosos que sofrem com a fragilidade, utilizando uma atuação simultânea e inovação de ideias.


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Referências


Lourenço RA, Moreira VG, Mello RGB, Santos IS, Lin SM, Pinto ALF, et al. Brazilian consensus on frailty in older people: concepts, epidemiology and evaluation instruments. Geriatr Gerontol Aging.2018;12(2):121-135

Ministério da Saúde [internet]. Brasil; c2020 [acesso em 18 jul 2020]. Disponível em: https://coronavirus.saude.gov.br

Boreskie KF, Hay JL, Duhamel TA. Preventing Frailty Progression During the Covid-19 Pandemic. The Journal of Frailty & Aging. 2020 Jun 7:1.

DO C. LINHA DE CUIDADOS PALIATIVOS DO HC-UFMG–EQUIPE DE CUIDADOS PALIATIVOS ADULTO


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