IMPORTÂNCIA DA IDENTIFICAÇÃO DA FRAGILIDADE NA TERCEIRA IDADE

Patrícia da Mata Huebra, Gustavo Henrique de Melo da Silva, Marceli Schwenck Alves Silva

Resumo


Introdução: Ao considerarmos o processo de transição demográfica experimentado no Brasil ao longo das últimas décadas, observa-se que a população idosa vem aumentando sua representatividade dentre o contingente populacional. De acordo com os dados do censo demográfico realizado pelo IBGE em 2011, aproximadamente 11% da população total – o que soma mais de 20 milhões de pessoas - é constituída por idosos3; em paralelo ao ano de 1940, esses representavam apenas 4,1% da população total brasileira. A fragilidade, considerada como uma síndrome clínica geriátrica, apresenta-se como condicionante e limitadora da qualidade de vida da população senil, uma vez que predispõe os idosos à ocorrência de desfechos desfavoráveis a saúde6. Diante disso, o presente estudo tem por objetivo avaliar a importância da identificação precoce da fragilidade na população idosa justificada na possibilitando de uma prevenção e promoção à saúde mais eficaz. Metodologia: Trata-se de uma revisão bibliográfica, através da qual foram utilizados materiais contidos em livros, teses, dissertações, consultas a bases eletrônicas como Pub Med, Lilacs e Science Direct. O período de publicação dos artigos incluídos neste estudo é de novembro de 2007 a novembro de 2017. Os idiomas de publicação escolhidos para seleção de artigos são inglês, espanhol e português, sendo que as buscas acontecerão com as seguintes palavras-chave: Elderly, Frail e Healthy. Resultados e Discussão: A fragilidade, dentre a população de idosos e enquanto síndrome geriátrica, apresenta um conjunto de manifestações clínicas as quais a permitem ser identificada, tais como a perda de peso não intencional, fadiga, diminuição da força, baixo nível de atividade física e diminuição da velocidade da marcha6. Todos esses por sua vez, predispõem os idosos à ocorrência de desfechos adversos a saúde como, por exemplo, maior risco de quedas, necessidade de hospitalização, institucionalização, perda funcional e morte7. O próprio processo de envelhecimento traz consigo inerentes declínios ao padrão de saúde e maiores chances para a ocorrência de fragilidade. Embora com o avançar da idade haja um aumento da suscetibilidade à diversas doenças crônicas – o que pode ser devido à progressiva falência dos mecanismos regulatórios destinados a manter o equilíbrio homeostático -, acredita-se que não somente esse seja o processo associado ao desenvolvimento da fragilidade, uma vez que nem todo idoso portador de doenças crônicas é considerado frágil6. A dinâmica do envelhecimento em países subdesenvolvidos, como o Brasil, cursa com condições socioeconômicas e de saúde desfavoráveis1. Somado a isso, evidencia-se uma investigação precária em relação a síndrome de fragilidade em idosos. Diversas condições propulsoras da fragilidade são passíveis de intervenção5. A implementação periódica de medidas de rastreio para essas condições tem forte impacto na promoção e prevenção da saúde senil, uma vez que minimiza a fragilidade, diminui a ocorrências de adversidades à saúde e atua na redução da mortalidade2. É possível identificar indivíduos frágeis na atenção primária a saúde considerando sua idade, status de polifarmácia e capacidade funcional4. A utilização do instrumento de avaliação autorreferida - o qual almeja a identificação da fragilidade através da percepção dos próprios idosos ou de seus informantes auxiliares/substitutos por meio do emprego de perguntas que visam mensurar os componentes: perda de peso não intencional, força de preensão manual, fadiga, redução da velocidade de caminhada e baixa atividade física – apresenta grande importância na atenção básica a saúde, pois, além de ser instrumento confiável e válido para o realizar o rastreio da síndrome de fragilidade, ele apresenta baixo custo, é de rápida realização e pode ser aplicado por qualquer profissional da equipe multidisciplinar. Com isso, permite uma expansão do rastreamento da síndrome, melhor assistência para residentes de áreas remotas, e, consequentemente, melhores prognósticos através da facilitação da identificação precoce8. O conhecimento dos fatores associados à fragilidade por partes dos gestores da saúde possibilita o desenvolvimento de ações de saúde destinadas a idosos. Conclusão: Por conseguinte, diante do processo de transição demográfica brasileiro, no qual evidencia-se a elevação do percentual de idosos e considerando a prevalência da fragilidade sobre essa fração populacional, a implementação de medidas que visem identificar a fragilidade e, consequentemente, atuar em sua redução tem impacto direto tanto na melhoria da qualidade de vida quanto na promoção de um processo de envelhecimento mais funcional. Além disso, a promoção da saúde e a prevenção da fragilidade podem ser vistas como formas de possibilitar melhoria socioeconômica ao país, uma vez que a não realização dessas medidas está associada a uma maior demanda pelos serviços de saúde e sociais, o que eleva de forma significativa os custos assistenciais impactando a gestão financeira governamental.



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Referências


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