IMPORTÂNCIA DO AUTOEXAME DA PELE PARA DETECÇÃO PRECOCE DO MELANOMA NO IDOSO

Manoella Octavia Leopoldina Maria Avertano-Rocha, Isabela Rossette Anglada Timóteo, Marina Figueiredo Ferrari, Sofia da Silva Camargo Corrêa

Resumo


Introdução: O melanoma, tumor cutâneo altamente maligno, é uma doença que se desenvolve a partir dos melanócitos e metastiza por via linfática ou sanguínea para outros órgãos como cérebro, fígado, ossos ou a própria pele. Tendo como forma mais frequente o melanoma superficial (MS) que representa 60% dos casos e mais especificamente o lentigo maligno melanoma (LMM) que acomete principalmente a população idosa – com idade média de aparecimento entre 65 anos – nos quais excepcionalmente podem ulcerar ou sangrar; esta doença apresenta como fatores de risco: indivíduos caucasianos, com fototipos I e II de Fitzpatrick, sujeitos a exposição solar intensa aguda (com formação de vesículas por queimadura solar), os utilizadores de equipamentos de bronzeamento artificial antes dos 30 anos e indivíduos com nevos melanociticos benignos com diâmetro superior a 7 mm.

Dessa forma, com alta incidência do melanoma entre a população idosa, é essencial que haja a realização do autoexame da pele da cabeça aos pés, uma vez por mês, procurando qualquer lesão suspeita, para que possa ter um diagnóstico precoce e maior sucesso no tratamento de tal doença1. Dessa forma, o trabalho tem como objetivo apresentar, a partir da análise de literatura científica, a importância do autoexame de pele dos idosos com intenção de evitar casos graves de melanoma. Metodologia: Foi realizada uma revisão da literatura científica, seja ela de língua inglesa ou língua portuguesa que possuísse no mínimo um dos descritores pesquisadora, nas seguintes fontes de busca: SciELO (Scientific Eletronic Library On-Line), Bases Eletrônicas Medline (Medical Literature Analysis and Retrietal System On-Line) e Lilacs (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciência da Saúde). Os principais descritores pesquisados foram: Fatores de risco; Idosos; Melanoma. Resultados: Sabe-se que melanoma maligno é multifatorial e resultante da interação genética e ambiental, constituindo um importante problema de saúde pública. No entanto, pouco se sabe acerca de sua detecção por meio da auto inspeção. Logo, tal problemática deve ser atenuada por meio da prevenção primária, a qual tem como objetivo alertar a população para os fatores de risco de desenvolvimento de tumores cutâneos – como a exposição solar de forma prolongada, principalmente em horários de maior incidência dos raios UVB- e sobre a essencialidade do uso de protetores solares; e pela secundária, que é feita através de programas educacionais dirigidos ao público em geral com o intuito de diagnosticar as lesões cutâneas o mais precocemente possível. Além disso, indivíduos que possam ter dificuldade em fazer esta auto inspeção (como os idosos) devem ser encorajados a fazer visitas médicas periódicas3. Dessa maneira, a necessidade de disseminação da regra do ABCDE, adotada internacionalmente, que aponta sinais sugestivos de tumor de pele do tipo melanoma (como a presença de assimetria, bordos irregulares, alterações de cor, diâmetro maior que 7 mm e evolução/elevação recente da lesão), mostra-se eficaz no combate a esse tipo de enfermidade4. Esse fato é corroborado por um estudo realizado pela American Academy of Dermatology, nos Estados Unidos, em que quase 42% dos pesquisados desconheciam o melanoma e apenas 26% dos que estavam cientes conseguiam identificar seus sinais específicos, elucidando as deficiências em conhecimentos e práticas relacionadas à detecção precoce do melanoma2. Conclusão: Dessa maneira, é possível concluir que devido a altíssima incidência do melanoma em indivíduos idosos, o autoexame é de papel fundamental na detecção precoce e nos melhores prognósticos dessa patologia. Esse autoexame deve ser realizado mensalmente pelo idoso, cujas capacidades visuais e táteis não tenham sido danificadas e que possua conhecimento da regra do ABCDE para que a lesão possa ser avaliada da melhor maneira possível. Logo, é preciso instruir aos idosos o autoexame de pele para que apesar dos altos índices de melanoma em sua faixa etária, o reconhecimento seja precoce e as chances de prognósticos graves reduzidas.



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Referências


BRAZIL, SKIN MELANOMA IN. Melanoma cutâneo no Brasil. Arquivos Catarinenses de Medicina, v. 38, n. Suplemento 01, p. 14, 2009.

JOURNAL OF THE AMERICAN ACADEMY OF DERMATOLOGY, 1996

MARQUES, José Miguel Nunes Duarte. Adaptação cultural e validação para a população portuguesa de um instrumento de monitorização de feridas crónicas: escala Resvech 2.0. 2016. Tese de Doutorado.

PURIM, Kátia Sheylla Malta et al. Características do melanoma em idosos. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, v. 47, 2020.


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