IMPORTÂNCIA DO CUIDADO COM A PELE DO PACIENTE IDOSO

Letícia Araújo Machado, Luísa Sandrini Mansur de Rezende, Nathely Bertly Coelho Pereira, Raynne Magjon Fernandes Sampaio

Resumo


Introdução: Sabe-se que o processo de transição demográfica está diretamente ligado ao aumento da expectativa de vida e consequentemente ao maior número de idosos. Diante disto destaca-se a necessidade de fornecer cuidados de saúde específicos para esta faixa etária. 1,2 A pele é considerada o maior órgão do corpo humano e é responsável pela interface com o meio ambiente criando uma barreira contra agentes externos além de produzir vitamina D e atuar na termorregulação.3 Diante disto, tem-se por objetivo discutir neste artigo a importância de uma avaliação cutânea detalhada no paciente idoso. Metodologia: Foi realizada uma revisão bibliográfica tendo como base artigos indexados, Cartilhas e o Tratado de Geriatria e Gerontologia. Foram selecionados artigos relevantes publicados a partir de 2008. Após a leitura destes, excluiu- se aqueles inadequados ao tema. Resultados e discussão: Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a pele exibe dois tipos de envelhecimento - intrínseco e extrínseco. Nessa análise, o intrínseco se refere a fatores genéticos e cronológicos, dessa forma, há uma redução de glândulas sebáceas, de melanócitos, de vascularização e de fibras elásticas e colágenas, além disso, ocorre um distanciamento entre a derme e a epiderme, aumentando o risco de dermatites. Enquanto isso, o extrínseco está relacionado com fatores ambientais, como radiação ultravioleta (UV) e hábitos de vida3. Um estudo da SBD em 2006 identificou os tumores cutâneos, as micoses superficiais e o ressecamento/espessamento da pele como sendo os problemas mais comuns nos idosos.3 Nesse contexto, a pele senil pode apresentar diversas patologias, entre elas estão dermatites, manchas, alergias, psoríase, infecções por fungos e vírus, bem como úlceras relacionadas à complicações da diabetes e úlceras por pressão. Dentre as mazelas mais recorrentes observa-se, a Xerose Cutânea (pele seca), ocasionada pela diminuição da capacidade de reter líquidos e das estruturas colágenas, assim, ela provoca alterações como descamação, fissuras e hiperemia, resultando em uma pele com aparência seca, áspera ou escamosa.4,5Ademais, dois tipos principais de neoplasias malignas atingem a população idosa, sendo eles o melanoma, que surge agressivamente, como uma pinta, normalmente, nas costas e nas pernas, e o câncer de pele não-melanoma, o qual aparece com um formato de “espinha” com crescimento rápido, em áreas com grande exposição ao sol.3 Com o envelhecimento as reações enzimáticas do tecido conjuntivo e estruturas epiteliais sofrem alterações 6, tornando a pele mais ressecada e descamativa, a qual predispõe ao prurido, acarretando fissuras, escoriações e infecções cutâneas 7. O envelhecimento provoca variações funcionais que induz o aparecimento de doenças crônicas 8, as quais podem levar ao prurido agudo ou crônico, sendo as mais comuns farmacodermia, dermatite de contato e urticária 9. Além disso há o declínio de melanócitos, lentificação da reposição das células da epiderme, diminuição das células de Langerhans, as quais contribuem para resposta imunológica na pele, todas essas alterações contribuem para susceptibilidade do idoso.6 É importante ressaltar também que a pele tem papel essencial nas relações sociais, uma vez que para que haja uma boa impressão nos relacionamentos interpessoais, se faz necessário que não esteja apenas visualmente agradável, mas também ao tato e ao olfato. Nesse contexto vários estudos destacam a importância da função psico-emocional da pele, esta se relaciona profundamente com afecções cutâneas, como doenças do sistema nervoso.3 Conclusão: Sabe-se que com o processo de envelhecimento, assim como com a internação hospitalar, o idoso está exposto a um maior risco de prejudicar a integridade da pele, assim a sua condição inicial pode evoluir com diversas respostas do corpo humano, como risco de infecção, dor aguda e dor crônica, baixa autoestima situacional, medo e ansiedade. A Hidratação e a Reparação da pele também são notórias para a recuperação da barreira epidérmica, principalmente em pacientes com Xerose Cutânea, sendo a hidratação uma condição essencial à vida e necessária a homeostase. A higidez da pele é, portanto, fundamental para a manutenção da saúde do idoso. Visto isso, é crucial destacar a importância da realização de uma avaliação completa e criteriosa em um paciente idoso - anamnese e exame físico rigoso, contemplando os aspectos gerais da pele do paciente, abordando a sua fisiologia e buscando a existência de possíveis alterações patológicas.

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Referências


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