IMUNOSSENESCÊNCIA: PAPEL DO EXERCÍCIO FÍSICO NO RETARDO DO ENVELHECIMENTO IMUNOLÓGICO

Maria Eduarda Wanderley Nobre, Camyla de Oliveira Lisboa, Cristiane Monteiro da Cruz, Marcos Reis Gonçalves

Resumo


Introdução: A imunossenescência ou imuno pausa é um fenômeno complexo e multifatorial relacionado ao envelhecimento, que corresponde à deterioração do sistema imunológico, promovendo alterações na imunidade inata e adaptativa [1,2]. Dentre essas alterações, pequenas quantidades e proporções de células B e T ingênuas, altos níveis de células T de memória (diferenciadas em estágio tardio) e diminuição da produção de anticorpos, bem como fagocitose prejudicada e quimiotaxia de neutrófilos e monócitos/macrófagos, são os principais fatores relacionados à falha e a desregulação do Sistema Imune [2,3,4]. Como consequência, há redução da eficácia das vacinas, aumento das infecções oportunistas (estado hiper inflamatório) e alta morbimortalidade entre os idosos [5,6,7]. Por outro lado, percebeu-se que indivíduos ativos, que praticavam exercícios físicos moderados habitualmente, tanto a longo quanto a curto prazo, apresentaram um retardo nesse processo de envelhecimento imunológico, prevenindo e  amenizando as consequências provocadas pela imunossenescência [5,8]. Dessa maneira, nota-se que o bom condicionamento físico melhora, além da saúde física e psicológica, a resposta imunológica do indivíduo. Entender os impactos do exercício físico no retardo da  imunossenescência entre os idosos é objetivo do presente estudo. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa de literatura, em que foram realizadas buscas nas bases de dados Medline (via Pubmed) e, utilizando-se a estratégia de busca: “Immunosenescence AND Physical Exercises AND Elderley”.  Não houve utilização de filtros, bem como restrições quanto ao idioma ou tipo de  estudo. Resultados e Discussão: Foram encontrados 63 artigos, dos quais 22, após a leitura do título e do resumo, foram utilizados para leitura do texto na íntegra. Após exclusão de três, 19 artigos mostraram-se relevantes para realização da presente revisão. Embora o mecanismo de melhoria do sistema imunológico relacionado às atividades físicas não seja claramente elucidado, notou-se que o exercício cria um “espaço imunológico”, ou seja, exclui de forma seletiva células T diferenciadas em estágio final senescentes e funcionalmente esgotadas [8]. Além disso, promove estimulação tímica ou extra tímica para produção de novas células T ingênuas e B, reduzidas em indivíduos sedentários, o que aumenta a resposta a novos agentes invasores [3,5,8]. Por fim, sua influência foi observada no aumento da produção de anticorpos e da atividade fagocítica de neutrófilos, na diminuição dos níveis circulatórios de citocinas inflamatórias, na redução da   resposta inflamatória a invasões bacterianas e na maior atividade citotóxica das células Natural Killers [9,10]. Analisou-se também, que seu impacto é maior sob a imunidade adaptativa, do que a inata, embora ambas sofram sua influência. Conclusão: Evidências notórias apontam que, com o avanço da idade, graves mudanças ocorrem no sistema imunológico, caracterizando a imunossenescência. Dessa forma, nota-se que mudanças no estilo de vida, como prática habitual  de exercício físico, podem ser tratadas como imunoterapia, visto que diminuem o risco de morbimortalidade, retardam o início da imunossenescência e, comparado com outros métodos, apresentam baixo custo, não são invasivos e são de fácil implementação.



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