INTERFERÊNCIA DA ATIVIDADE FÍSICA NA DEPRESSÃO DA TERCEIRA IDADE: UMA BREVE REVISÃO DA LITERATURA

Luísa Barros Nacif Chequer, Daniella Souza Amorim, Carolina Corrêa Lima, Liza Valim de Mello

Resumo


INTRODUÇÃO: O envelhecimento da população promove o aumento na incidência de doenças neuropsiquiátricas, como a depressão, que é o distúrbio psiquiátrico mais prevalente em idosos, representando aproximadamente 15% da população idosa residente na comunidade¹. A depressão, definida como uma síndrome caracterizada por humor deprimido por pelo menos 2 semanas, com perda do prazer ou interesse em atividades cotidianas ², representa um problema de saúde publica, e não uma manifestação do envelhecimento fisiológico¹ Além disso, consta-se que a depressão é causadora de grandes custos socioeconômicos, com pensamentos e ideações suicidas, redução da produtividade no trabalho e aumento dos custos médicos³, sendo isso algo de extrema importância, visto que é estimado que em 25 anos a população idosa brasileira seja maior que a de crianças4. Desta maneira, foi evidenciado que a prática de atividades de vida diária (AVD) é um indicador da capacidade funcional dos idosos no ambiente físico e social, assim sendo, a prática dessas atividades mantém o idoso saudável e socialmente ativo. Ademais é importante na manutenção da funcionalidade e para velhice bem-sucedida, saudável ou ativa. Todavia, a capacidade funcional preservada, a autonomia e a boa capacidade de executar tarefas diárias, leva ao desenvolvimento de bons níveis de autoestima além de contribui para a diminuição da depressão e otimiza o bem estar próprio5. Posto isto, o presente trabalho tem como objetivo correlacionar a importância da atividade física na terceira idade e sua aplicação na prevenção e no tratamento da depressão, evidenciando o impacto dessa patologia em idosos. METODOLOGIA: Este trabalho integra uma breve revisão da literatura, a qual foi realizada através da busca e seleção manual de revisões bibliográficas e textos de sociedades, além de capítulos de livros que abordam o assunto. Utilizando as bases de dados do PubMed/Medline e SciELO, a pesquisa foi feita através do emprego dos termos “Depressão em idosos”, “Atividades físicas e idosos”, “Prevenção da depressão em idosos” e “Atividades físicas e depressão na terceira idade”. No processo de inclusão dos textos, os artigos do tema apresentado publicados em português e inglês, foram analisados. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Quando a depressão geriátrica é negligenciada, há maior chance de deterioração das funções cognitivas (memoria, concentração, raciocínio, tomada de decisões)² bem como da felicidade e prazer em geral, resultando em mais dor e sofrimento, além de influenciar diretamente em seus relacionamentos sociais6. Em razão disso, o reconhecimento da gravidade dessa patologia e dos fatores que contribuem para sua prevenção e tratamento faz-se imprescindível.A atividade física pelo idoso diminui a depressão por dois processos. O primeiro relaciona a questões sociais, onde há realização de atividades positivas de lazer, que resultam em um bem- estar psicológico, uma vez que há o vínculo social, conversas pessoais e fortalecimento de amizades7. O segundo relaciona ao humor positivo que a atividade física pode proporcionar, dando mais capacidade na hora de lidar com situações e sentimentos depressivos². As atividades físicas estão diretamente ligadas a secreção de hormônios antidepressivos, como a noradenalina central, diminuição do eixo hipotálamo-hipófise-adrenocortical e aumento da secreção de beta-endorfinas8. Assim, há a manutenção de um humor positivo, diminuindo o declínio funcional9 e o humor negativo que está presente na maioria das depressões10. O desempenho físico diminui significativamente com o envelhecimento, contudo, a atividade física contribui para a preservação da capacidade funcional. O maior impacto positivo no desempenho físico foi evidenciado através de atividades aeróbicas e de resistência, reforçando evidência de que o exercício, principalmente quando é feito regularmente, é capaz de melhorar a qualidade de vida dos idosos9.

Segundo a Declaração de Consenso², após examinar exaustivamente variadas literaturas, a atividade física tem efeitos positivos na saúde mental e no bem-estar psicológico de um indivíduo, de modo geral, também evidenciou que o exercício regular diminuiu a ansiedade, a depressão e o estresse gradualmente¹¹. Foram analisados os efeitos das atividades físicas em idosos com um transtorno depressivo maior e foi possível constar que um programa de exercícios aeróbicos regular (três vezes por semana durante 16 semanas) era eficaz no tratamento e que os efeitos eram estatisticamente equivalentes aos efeitos do tratamento da sertralina cloridrato, um antidepressivo.

Byeon relacionou e indicou, ainda, exercícios de flexibilidade, como alongamento e ioga, com a prevenção da depressão, além disso, esses exercícios melhoram a saúde mental dos idosos. Além disso foi demonstrado que através da ativação do sistema nervoso central a atividade física melhora a cognição/reconhecimento³, comprovando sua atuação não apenas na depressão mas também, possivelmente, em doenças neurodegenerativas. A depressão pode diminuir o nível de energia, levando a redução de atividade física. Por isso é importante estar presente em ambientes estimulantes, com atividades variadas, coletivas e adequadas ao perfil sociocultural, havendo melhora do desempenho em todos os âmbitos da vida pessoal do idoso através da estimulação do Sistema Nervoso Central³, como o trabalho, cognição e bem-estar, contribuindo para a continuidade da função mental e física para maior autonomia e independência funcional refletindo na melhoria da qualidade de vida e na melhor condição emocional durante o processo de envelhecimento9. CONCLUSÃO: Por conseguinte, a prática de atividades físicas em idosos tem diversos pontos positivos e de modo geral faz-se imprescindível tanto para prevenção de diversas patologias como no tratamento.

A grande importância dessa questão é na facilidade e simplicidade desse “tratamento”, que se mostrou intensamente eficaz somente com a caminhada feita de maneira regular, por exemplo. A depressão afeta grande parte da população idosa e interfere na qualidade de vida e no rendimento, diminuindo o desempenho físico e a autoestima. Desta maneira foi visto que a pratica regular de exercícios tem intensa influência na qualidade de vida deste grupo. A liberação de hormônios “da felicidade” contribuem para o maior rendimento corporal, favorecem a interação social e contribuem para autoconfiança, combatendo a depressão e proporcionando uma qualidade de vida satisfatória.


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Referências


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