ANÁLISE DA DEMÊNCIA EM IDOSOS ADSCRITOS NA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA DO BAIRRO BOM PASTOR

Alane Torres de Araújo Lima, Anna Carla Silveira Rodrigues, Bruna Teixeira Ribeiro, Karina Gama dos Santos Sales

Resumo


Nas últimas décadas, devido à transição demográfica e epidemiológica, foi evidenciado o envelhecimento populacional e o aumento da prevalência das doenças crônico-degenerativas como a demência na população com mais de 60 anos. O processo de envelhecimento de grande parte da população vem acompanhado de declínios cognitivos, sendo imprescindível a identificação do problema na comunidade e a promoção de ações efetivas na sua prevenção, a fim de promover melhorias na qualidade de vida dessa população. Portanto, esse artigo teve como objetivo analisar a capacidade cognitiva da população geriátrica adscrita na ESF BOM PASTOR – MANHUAÇU – MG. Para isso, foram aplicados o Mini Exame do Estado Mental (MEEM) e a Escala de Depressão Geriátrica (GDS) em 79 idosos, destes 39 apresentaram algum grau de demência e 26 algum grau de depressão. Dos participantes com demência, 25 possuíam comorbidades sistêmicas crônicas e 17 apresentavam depressão.  Já no grupo dos que não apresentavam demência (40 pacientes), 9 tinham depressão, o que denota um Risco Relativo (RR) de 1,57. Em relação ao sexo, a incidência de demência foi de 51% nas mulheres (RR 1.08) e de 46% nos homens (RR 0.91), demonstrando ser o sexo feminino fator de risco e o sexo masculino fator de proteção para a demência. Os RR de demência para os graus de escolaridade analfabetos, 1-4 anos, 5-8 anos e acima de 8 anos foram respectivamente 2,09, 1, 0,9 e  0,38, denotando que quanto maior o nível de escolaridade, menor o risco de desenvolver algum grau de demência. De acordo com os resultados, tem-se que algumas variáveis denotam fator de risco, enquanto outras parecem ser protetoras. Alguns destes aspectos, são constantes e não passíveis de alteração, entretanto, outros como escolaridade, comorbidades e  depressão, podem ser prevenidos e trabalhados a fim de reduzir essa expectativa maléfica à qualidade de vida do idoso.

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DOI: https://doi.org/10.21576/pa.2020v18i3.1896

DOI (PDF): https://doi.org/10.21576/pa.v18i3.1896.g1517

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