EMPREGADOS DOMÉSTICOS: TRATAMENTO DISCRIMINATÓRIO SOB A ÓTICA DA TEORIA DO RECONHECIMENTO

Giselle Leite Franklin, Daniela Rafael de Andrade

Resumo


O presente trabalho pretende analisar as experiências do reconhecimento negado, sobretudo do emprego doméstico, visando a verificar em que medida elas podem ensejar lutas por reconhecimento e mudança nas trajetórias profissionais. Conforme instrui Axel Honneth (1994), a negação dos direitos a uma pessoa corresponde a uma ‘morte social’, uma vez que diminui a sua auto-estima no tocante à capacidade que ela tem de se relacionar com os outros de igual para igual. A correção dessa injustiça, de acordo com o mesmo autor, vem pelo reconhecimento do cidadão, por parte dos outros cidadãos, como membro pleno da comunidade e possuidor dos mesmos direitos e deveres que cabem a qualquer outro cidadão, esse reconhecimento mútuo é a maneira pela qual o sujeito constrói uma auto-imagem positiva. Além do mais, a experiência do desrespeito relaciona-se às vivências afetivas dos seres humanos, de modo que constitui um impulso de resistência social e de conflito, para uma luta pelo reconhecimento. Tal tema vem alcançando os trabalhadores domésticos lentamente, consubstanciado num grupo minoritário que sempre foi colocado em posição de inferioridade em relação aos demais cidadãos.


Palavras-chave


Filosofia; Reconhecimento; Doméstico; Luta; Igualdade.

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DOI: https://doi.org/10.21576/pa.2015v13i2.193

DOI (PDF): https://doi.org/10.21576/pa.v13i2.193.g169

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