CLIMA ORGANIZACIONAL: UMA ANÁLISE ANCORADA NAS TEORIAS DA MOTIVAÇÃO HUMANA

Alciares Mello dos Santos, Reginaldo Adriano de Souza, Rita de Cássia M. de O. Ventura

Resumo


A política de interiorização do ensino tem provocado uma grande oferta de empregos públicos no interior do Brasil, desenhando organizações miscigenadas, o que pode comprometer o clima e a motivação organizacionais. Este trabalho tem por objetivo a análise do clima organizacional de uma dessas unidades, à luz de duas teorias motivacionais oriundas da década de 1950: a Teoria das Necessidades de Maslow e a Teoria dos Dois Fatores de Herzberg. O trabalho, de caráter predominantemente quantitativo, faz uma abordagem descritiva do clima percebido na escola. De acordo com a pesquisa e analisando a teoria de Maslow, há necessidades de nível superior e inferior não satisfeitas. No nível superior, embora haja um sentimento de orgulho e realização por trabalhar no campus, percebe-se que o reconhecimento e a atenção esperados não são atendidos. No nível inferior, apesar dos salários, benefícios e fatores de segurança parecerem satisfatórios, as necessidades sociais e fisiológicas são comprometidas pelos deslocamentos realizados pelos colaboradores. Além disso, não há identificação dos servidores com o município. Analisando a teoria de Herzberg, os problemas de relacionamento com a chefia imediata comprometem os fatores higiênicos, ao passo que os fatores motivacionais são identificados no prazer pelo conteúdo do trabalho, além do orgulho que os servidores sentem em relação à empresa e à profissão. A pesquisa aponta resultados importantes que podem colaborar para um melhor desempenho da organização, mas não permite um diagnóstico estático sobre o clima da empresa, já que esse é mutável e totalmente dependente das condições psicológicas do indivíduo.


Palavras-chave


Clima Organizacional; Motivação; Teorias Motivacionais; Interiorização do Ensino

Texto completo:

PDF

Referências


BAPTISTA, S. G.; CUNHA, M. B. da. Estudo de usuários: visão global dos métodos de coleta de dados. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 12, n. 2, p. 168- 184, maio/ago. 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/pci/v12n2/v12n2a11.pdf. Acesso em: 01 jun. 2013.

Bispo, C.A.F. Um novo modelo de pesquisa de clima organizacional. Produção, v. 16, n. 2. p. 258-273, Maio/Ago. 2006.

Brasil. Lei n 11.892, de 29 de dezembro de 2008. Institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e dá outras providências. Diário Oficial da União, 30 dez. 2008.

Brasil, Ministério da Educação e Cultura. Expansão da Rede Federal. Disponível em: http://www.redefederal.mec.gov.br/expansao-da-rede-federal Acesso em: 16 dez. 2014

Chiavenato, I. Recursos humanos: o capital humano das organizações. 7 ed. São Paulo: Atlas, 2002.

Denison, D. R. What is the difference between organizational culture and organizational climate? A native's point of view on a decade of paradigm wars. Academy of management review, 21(3), 619-654, 1996.

Forehand, G. A., Gilmer, H. B. Environmental variation in studies of organizational behavior. Psychological Bulletin, v. 62, n. 6, p. 361-382, 1964.

GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2008.

Glisson, C., & Hemmelgarn, A. The effects of organizational climate and interorganizational coordination on the quality and outcomes of children’s service systems. Child abuse & neglect, 22(5), 401-421, 1998

Gomes, F. R. Clima organizacional: um estudo em uma empresa de telecomunicações. Revista de Administração de Empresas, abr./jun, p. 95-103, 2002.

MALHOTRA, N. Pesquisa de Marketing: uma orientação aplicada. 3 ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.

Maslow, A. Motivation and persolaty. Nova York: Harper 7 Row, 1954.

Maximiano, A. C. A. Teoria geral da administração: da revolução urbana à revolução digital. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2004.

Neal, A., Griffin, M. A., & Hart, P. M. The impact of organizational climate on safety climate and individual behavior. Safety science, 34(1), 99-109, 2000.

Qadeer, F., & Jaffery, H. Mediation of Psychological Capital between Organizational Climate and Organizational Citizenship Behavior. Pakistan Journal of Commerce and Social Sciences, 8(2), 453-470, 2014.

Rizzatti, G. Categorias de análise de clima organizacional em universidades federais brasileiras. 305 f. 2002. Tese (doutorado) - Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2002. Disponível em: http://www.tede.usfc.br;http:www.scielo.br. Acessos em: 7 abr. 2014.

Sbragia, R. Um estudo empírico sobre clima organizacional em instituições de pesquisa. Revista da Administração, v. 18, n.2, p. 30-39, 1983.

Silva, R. K. A. S.; Dornelas, M. A.; Santos, W. S. Fatores que definem o clima organizacional entre os servidores técnico-administrativos do CEFET Bambuí. In: I JORNADA CIENTÍFICA E VI FIPA DO CEFET, Bambuí, Minas Gerais. Anais... Bambuí: [s.n], 2008.

Souza, E.L.P. de- Diagnóstico de clima organizacional. Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, v. 11, n. 2, p.141-158, abr./jul.1977.

Xavier, O. S. Clima organizacional na pesquisa agropecuária: percepção e aspiração. Revista de Administração, v. 10, n. 4, out./dez, p. 33-48, 1986.




DOI: https://doi.org/10.21576/pa.2015v13i2.194

DOI (PDF): https://doi.org/10.21576/pa.v13i2.194.g170

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2017 Alciares Mello dos Santos, Reginaldo Adriano de Souza, Rita de Cássia M. de O. Ventura

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Compartilhar igual 4.0 Internacional.