ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA E ATENÇÃO PRIMÁRIA A SAÚDE DE QUEM ESTÁ TRABALHANDO

Clarice Santana Milagres, Jucilene Casati Lodi, Juliana Aparecida Fialho Cardoso

Resumo


Este trabalho enfoca as mudanças ocorridas na implementação das políticas de saúde do atual sistema apresentado no Brasil, o SUS, bem como a atenção que é dada àqueles trabalhadores que estão em seus processos de trabalho, quando o mesmo passa a maior parte do tempo útil diário em um expediente de trabalho contínuo. Objetivo: avaliar o atendimento prestado pela Unidade de Saúde da Família (USF) à população que trabalha em uma empresa da cidade de Vitória – ES. Materiais e Métodos: trata-se de uma pesquisa descritiva exploratória, com abordagem qualiquantitativa, realizada numa empresa de médio porte na cidade de Vitória. Para a análise descritiva, foram utilizadas as variáveis: utilização dos serviços de saúde, presença de Estratégia de Saúde da Família no bairro de moradia, conhecimento do seu funcionamento, dificuldade de acesso. Resultados: dos participantes da pesquisa, 79,6% não são atendidos pela estratégia, destes 53,2% não sabem da existência da unidade de saúde da família e 46,8% já ouviram falar, mas não sabem como funciona, porque o horário de atendimento da unidade coincide com o seu horário de trabalho, dificultando o acesso. Já 20,4% utilizam a unidade esporadicamente por possuírem plano de saúde. Quanto ao grau de satisfação, 49% estão satisfeitos com o atendimento recebido na unidade e 35% estão insatisfeitos. Conclusão: há necessidade de se frisar a importância de informações e educação em saúde à população e melhoria na oferta de serviços do mesmo. Uma grande preocupação nos achados da pesquisa foi a identificação de pessoas que ainda desconhecem a existência da unidade de saúde da família, procurando outro tipo de assistência que supra suas necessidades de saúde e que ofereça atendimento após o horário comercial.


Palavras-chave


Serviços de saúde, Estratégia de Saúde da Família, Saúde Pública.

Texto completo:

PDF

Referências


- Viegas SMF, Penna CMM. O Sus é universal mas vivemos de cotas. Ciência & Saúde Coletiva, 18(1):181-190, 2013.

- Brasil. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2012.

- Oliveira SRG, Wendhausen ALP. (Re) Significando a educação em saúde: dificuldades e possibilidades da estratégia saúde da família. Trab. Educ. Saúde, Rio de Janeiro, v. 12 n. 1, p. 129-147, jan./abr. 2014.

- Silva LMS, Fernandes MC, Mendes EP, Evangelista NC, Torres RAM. Trabalho interdisciplinar na estratégia saúde da família: enfoque nas ações de cuidado e gerência. Rev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2012 dez; 20(esp.2):784-8.

- Reis RS, et all. Acesso e utilização dos serviços na Estratégia Saúde da Família na perspectiva dos gestores, profissionais e usuários. Ciência & Saúde Coletiva, 18(11):3321-3331, 2013.

- Schwartz TD, Ferreira JTB, Maciel ELN, Lima RCD. Estratégia Saúde da Família: avaliando o acesso ao SUS a partir da percepção dos usuários da Unidade de Saúde de Resistência, na região de São Pedro, no município de Vitória (ES). Ciência & Saúde Coletiva, 15(4):2145-2154, 2010.

- Trad LAB, Bastos ACS, Santana EM, Nunes MO. Estudo etnográfico da satisfação do usuário do Programa de Saúde da Família (PSF) na Bahia. Ciência & Saúde Coletiva, 7(3):581-589, 2002.

– Brasil, Ministério da Saúde. Avaliação da Implementação do Programa Saúde da Família em Dez Grandes Centros Urbanos síntese dos principais resultados. Brasília, Ministério da Saúde, 2002.

- Souza TS, Virgens L.S. Saúde do trabalhador na Atenção Básica: interfaces e desafios. Rev. bras. Saúde ocup., São Paulo, 38 (128): 292-301, 2013.

- Pessoa VM, Rigotto RM, Carneiro FF, Teixeira ACA. Sentidos e métodos de territorialização na atenção primária à saúde. Ciência & Saúde Coletiva, 18(8):2253-2262, 2013.

- Lacaz, F. A. C. O campo Saúde do Trabalhador: resgatando conhecimentos e práticas sobre as relações trabalho-saúde. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 23, n. 2, p. 757-766, 2007.

- Lacaz, F. A. C. Qualidade de vida no trabalho e saúde/doença. Ciência & Saúde Coletiva, 5(1):151-161, 2000.

– Minayo MS. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 8º ed. Petrópolis: Vozes; 2001.

– Bruschini C, Puppin AB. Trabalho de mulheres executivas no Brasil no final do século XX. Cadernos de Pesquisa, v. 34, n. 121, jan./abr. 2004.

- Ramos DD, Lima MADS. Acesso e acolhimento aos usuários em uma unidade de saúde de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Cad Saude Publica 2003; 19(1):27-34.

- Abdalla AM, Saeed AA, Magzoub M, Reerink E. Consumer satisfaction with primary health care services in Hail City, Saudi Arabia. Saudi Med J. 2005; 26:1030-2.

- Clares JWB, Silva LMS, Dourado HHM, Lima LL. Regulação do acesso ao cuidado na atenção primária: percepção dos usuários. Rev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2011 out/dez; 19(4):604-9.




DOI: https://doi.org/10.21576/rpa.2014v11i2.226

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2017 Clarice Santana Milagres, Jucilene Casati Lodi, Juliana Aparecida Fialho Cardoso

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Compartilhar igual 4.0 Internacional.