A IMPORTÂNCIA DA LIBRAS NA FORMAÇÃO MÉDICA

Vanessa Cavalcante Mendes, Gyovanna Braz Porto de Queiroz Ribeiro Lima, Maria Alcina Terto Lins, Ana Marlusia Alves Bomfim, Marcia Lúcia Nogueira de Lima Barros

Resumo


A Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é uma língua própria, destinada à comunicação da população surda, a fim de proporcionar uma melhor interação com a sociedade, ao passo que promove a inclusão social e concretiza o princípio da dignidade da pessoa humana. O objetivo deste estudo foi investigar a influência da Libras na formação dos estudantes de medicina e sua repercussão no atendimento humanizado e integral do indivíduo surdo. Para tanto, realizou-se pesquisa documental nos Projetos Pedagógicos dos cursos (PPCs) de medicina do Estado de Alagoas e pesquisa empírica de caráter quantitativo por meio da aplicação de formulários aos estudantes do 2° e 10° períodos do curso de medicina do Centro Universitário Tiradentes (UNIT-AL). A análise dos PPCs mostrou que a maioria deles se baseia nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) de 2014 e identificou que a Libras não é obrigatória em todas as instituições, classificando-a como eletiva ou optativa. A pesquisa empírica evidenciou que, apesar de a grande maioria nunca ter tido contato com um surdo e, principalmente, nunca ter tido a experiência acadêmica de acompanhar um paciente com surdez, os estudantes, em sua maioria, relataram que a Libras é essencial para a vida profissional, pois desperta um olhar crítico em relação à equidade e à inclusão social, proporciona uma maior acessibilidade em assistência à saúde do paciente surdo, além de garantir a humanização durante o atendimento. Constatou-se neste estudo que, apesar de sua importância biopsicossocial para a sociedade em geral, em especial para a formação médica, a Libras permanece frágil no tocante às barreiras de implementação, difusão e incentivo no âmbito acadêmico, já que não é disciplina obrigatória nos cursos de medicina, o que corrobora para a deficiência no processo de humanização da relação médico/paciente surdo, bem como para o desfecho ineficaz da qualidade de atendimento, diagnóstico e tratamento.


Palavras-chave


Formação médica; Humanização; Libras.

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DOI: https://doi.org/10.21576/pa.2021v19i2.2289

DOI (PDF): https://doi.org/10.21576/pa.v19i2.2289.g1977

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