O CICLO TRANGERACIONAL DA POBREZA NO BAIRRO SÃO FRANCISCO DE ASSIS NO MUNICÍPIO DE MANHUAÇU - MG

Ana Paula Leite Moreira

Resumo


O presente artigo tem como objetivo demonstrar a influência que a
pobreza transgeracional exerce sobre o comportamento e os projetos de vida de
adolescentes que vivem em bairros periféricos. O que se percebe é que embora se
idealize uma ruptura com as condições materiais de existência, os fatores objetivos
da pobreza e subalternidade frente à divisão social do trabalho os fazem “repetir”,
involuntariamente, escolhas realizadas pelas mães e avós como um legado familiar,
ou seja, os projetos de vida dos adolescentes são construídos e significados em
função das experiências sócio-culturais, das vivências e interações interpessoais
que eles estabelecem. Como unidade de análise desta pesquisa utilizou-se as três
gerações de mulheres - adolescentes mães e avós – cadastradas no Centro de
Apoio à Família do São Francisco de Assis pertencente ao município de Manhuaçu,
estado de Minas Gerais, por ser um território considerado de vulnerabilidade e risco
social, onde a situações degradantes tem ultrapassado gerações. Para alcançar o
objetivo proposto realizou-se pesquisa bibliográfica com os principais autores que
discorrem sobre a temática a nível nacional e internacional. Pesquisa documental,
para selecionar dentre os cadastros do Centro de Apoio à Família as participantes
do estudo. E entrevistas com 10 mulheres de cada geração mencionada, utilizando
como critério o fato de pertencerem à mesma família. Os resultados da pesquisa
revelaram que respeitadas as especificidades de cada período histórico as três
gerações de mulheres tenderam a reproduzir padrões de ocupação e
comportamento umas das outras. Conclui-se que embora os projetos de vida
revelassem uma ruptura ideal com as condições materiais de existência da geração
anterior, as condições objetivas da pobreza e subalternidade frente a divisão social
do trabalho as fazem “repetir” cotidianamente as escolhas realizadas pelas mães e
avós.


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