AVALIAÇÃO DO POTENCIAL ANTIMICROBIANO DA PRÓPOLIS CONTRA BACTÉRIAS POTENCIALMENTE PATOGÊNICAS

Alane Torres de Araújo Lima, Ríudo de Paiva Ferreira, Daniele Maria Knupp Souza Sotte, Maria Diana Cerqueira Sales

Resumo


A atividade antibacteriana da própolis torna-se substancialmente importante na atualidade, onde a emergência de bactérias multirresistentes tem limitado a efetividade dos antibacterianos usuais. Uma bactéria com altas taxas de resistência é o Staphylococcus aureus, responsável por infecções potencialmente letais. Dessa forma, este trabalho objetivou analisar a atividade antibacteriana da propólis frente o S. aureus. Foram realizados dois experimentos: no primeiro, uma linhagem de S. aureus ATCC foi estriada em placas contendo ágar sangue acrescido de extrato de própolis e incubada à 37 ºC por 24 h. Os controles foram feitos com álcool de cereais e ágar-sangue puro. No segundo, discos de papel contendo própolis, salina estéril 0,9% e vancomicina foram dispostos sobre o meio previamente estriado com suspensão de S. aureus e as placas incubadas à 37 ºC por 24h. Os resultados foram analisados usando teste exato de Fisher e intervalo de confiança de 95%.  No primeiro experimento, as placas com própolis tiveram crescimento reduzido das colônias de S aureus em relação às placas com ágar-sangue puro e com álcool de cereais (p<0,01). No segundo experimento a própolis (1,8±0,28 mm; IC95% 1,26- 2,37 mm) mostrou atividade antimicrobiana contra S. aureus. Portanto, pode-se afirmar que a própolis apresenta uma atividade antimicrobiana contra S aureus podendo ser uma alternativa à terapêutica convencional.

Texto completo:

PDF

Referências


ADELMAN J. Própolis: variabilidade composicional, correlação com a flora e bioatividade antimicrobiana/antioxidante [Dissertação]. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, Mestrado em Ciência Farmacêutica; 2005.

ANDRADE, Denise de; LEOPOLDO, Vanessa Cristina; HAAS, Vanderlei José. Ocorrência de bactérias multiresistentes em um centro de Terapia Intensiva de Hospital brasileiro de emergências. Rev. bras. ter. intensiva, São Paulo, v. 18, n. 1, Mar. 2006 .

ANVISA. Manual de Microbiologia Clínica para o Controle de Infecção em Serviços de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde. 2004.

APAYDIN, H.; GÜMÜŞ, T. Inhibitory Effect of Propolis (Bee Gum) Against Staphylococcus aureus Bacteria Isolated From Instant Soups 1. Journal of Tekirdag Agricultural Faculty, v. 15, n. 1, p. 67-75, 2018.

ARANTES, T.; PAIXÃO, G.O.D.; SILVA, M.D.; CASTRO, C.S.A. Avaliação da colonização e perfil de resistência de Staphylococcus aureus em amostras de secreção nasal de profissionais de enfermagem. Rev Bras Farm. V.94, n.1, p.30-34, 2013.

BARBOSA, M. S. et al. Uso da propolis no controle in vitro da bactéria gram-positiva Staphylococcus aureus causadora de mastite em vacas leiteiras. Boletim de Indústria Animal, v. 71, n. 2, p. 122-126, 2014.

CABRAL, I.S.R.; OLDONI, T.L.C.; PRADO, A.; BEZERRA, R.M.N.; ALENCAR, S.M. Composição fenólica, atividade antibacteriana e antioxidante da própolis vermelha brasileira. Química Nova, v.32, p.1523-1527, 2009.

CARDOSO, J.G. Influence of a Brazilian wild green propolis on the enamel mineral loss and Streptococcus mutans’ count in dental biofilm. Arch Oral Biol. V.65, p. 77-81, 2016.

COS, P.; VLIETINCK, A.J.; VANDEN, B.D. Anti-infective potential of natural products: how to develop a stronger in vitro ‘proof -of concept’. J Ethnopharmacol. V.106, n.3, p. 290 – 302, 2006.

DJEUSSI, D. E., et al . Antibacterial activities of selected edible plants extracts against multidrug-resistant Gram-negative bacteria. Altern. Med. V. 13, p. 164, 2013.

ENDLER, A. L., et al. Teste de eficácia da própolis no combate a bactérias patogênicas das vias respiratórias (test of the efficiency of propolis in combating pathogenic bacteria of the respiratory system). Publicatio UEPG: Ciências Biológicas e da Saúde, v. 9, n. 2, 2003.

ENDO, M. M. et al. Antibacterial action of red and green propolis extract in infected root canal. Revista Odonto Ciência, v. 32, n. 2, p. 99-103, 2017.

GARZA-GONZALEZ, E., et al . Staphylococcal cassette chromosome mec (SCC mec) in methicillin -resistant coagulase -negative staphylococci. A review and the experience in a tertiary -care setting. Epidemiol Infect. V. 138, n.5, p.645 -54, 2010.

GELATTI, Luciane Cristina et al . Staphylococcus aureus resistentes à meticilina: disseminação emergente na comunidade. An. Bras. Dermatol., Rio de Janeiro, v. 84, n. 5, Oct. 2009 .

HARFOUCH, R. M.; MOHAMMAD, R. ; SULIMAN, H. Antibacterial activity of syrian propolis extract against several strains of bacteria in vitro. World journal of pharmacy and pharmaceutical sciences. V.6, p. 42-46, 2017.

LE, F. A.F.C. Avaliação da colonização nasal por Staphylococcus aureusem funcionários de um serviço de saúde em Campina Grande-PB. Rev Biol Farm. V. 7, n.1, p.1983-4209, 2012.

MARCUCCI, M.C., et al. Phenolic compounds from Brazilian propolis with pharmacological activities. Journal of Ethnopharmacology, v.74, n.2, p.105-112, 2001.

MIGUEL, M., et al. Phenols and antioxidant activity of aqueous and methanolic extracts of propolis from Algarve, south Portugal. Food Sci. Technol. V. 34, p. 16- 23, 2004.

MIGUEL, M.G., et al. Antioxidant activity of propolis from Algarve. Adv. Environ. Biol.V. 5, p. 345-350, 2011.

MIGUEL, M.G., et al. Phenols and antioxidant activity of hydro-alcoholic extracts of propolis from Algarve, South of Portugal. Food Chem. Toxicol. V.48, p.3418- 3423, 2010.

MONZOTE, L.; et al. In vitro antimicrobial assessment of Cuban propolis extracts. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. V.107, p.978-984, 2012.

MOREIRA, M. et al . Efeito da infecção hospitalar da corrente sanguínea por Staphylococcus aureus resistente à oxacilina sobre a letalidade e o tempo de hospitalização. Rev. Assoc. Med. Bras., São Paulo, v. 44, n. 4, Dec. 1998 .

MORELL, E.A.; BALKIN, D.M. Methicillin-resistant Staphylo-coccus aureus: a pervasive pathogen highlights the needfor new antimicrobial development.Yale J Biomol Med.V. 83, n. 4, p.223-233, 2010.

PROBST, I.S.; SFORCIN, J.M.; RALL, V.L.M.; FERNANDES, A.A.H.; FERNANDES JR., A. Antimicrobial activity of propolis and essential oils and synergism between these natural product. Journal of Venomous Animals and Toxins including Tropical Diseases, v.17, p. 159-167, 2011.

RAZERA, Fernanda et al . CA-MRSA em furunculose: relato de caso do sul do Brasil. An. Bras. Dermatol., Rio de Janeiro, v. 84, n. 5, Oct. 2009

SALATINO, A., et al. Origin and chemical variation of Brazilian propolis. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, v. 2, n. 1, p. 33-38, 2005.

SANTOS, André Luis dos et al . Staphylococcus aureus: visitando uma cepa de importância hospitalar. J. Bras. Patol. Med. Lab., Rio de Janeiro, v. 43, n. 6, Dec. 2007.

SELVARAJ, Rajini et al. Phytochemical profiling and antibacterial activity of propolis. International journal of scientific research, v. 7, n. 6, 2018.

SFORCIN, J.M.; BANKOVA, V. Propolis: Is there a potential for the development of new drugs? J. Ethnopharmacol., v. 133, p. 253-260, 2011.

SINHORINI, Wellington Augusto et al. Atividade antibacteriana in vitro da própolis testadas em cepas bacterianas padrão. Revista de Ciência Veterinária e Saúde Pública, v. 1, n. 2, p. 107-111, 2015.

STEPANOVIĆ, S., et al. In vitro antimicrobial activity of propolis and synergism between propolis and antimicrobial drugs. Microbiological Research, v. 158, n. 4, p. 353-357, 2003.

SUNG, S., et al. External use of propolis for oral, skin, and genital diseases: a systematic review and meta-analysis. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, v. 2017, 2017.

TEIXEIRA, E.W., et al. Seasonal variation, chemical composition and antioxidant activity of Brazilian propolis samples. Evid-Based Complement. Altern. Med. V. 7, p. 307-315, 2010.

WOJTYCZKA, R. D. et al. Susceptibility of Staphylococcus aureus clinical isolates to propolis extract alone or in combination with antimicrobial drugs. Molecules, v. 18, n. 8, p. 9623-9640, 2013.

YU, Q., et al. Effects of Yili dark bee propolis on oral cariogenic biofilm in vitro. West China journal of stomatology, v. 33, n. 4, p. 343-346, 2015.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.