O PERFIL DA MULHER DETENTA: UMA ANALISE REALIZADA NO PRESÍDIO DE MANHUMIRIM-MG

Kézia de Souza Henrique, Nathália Martins Oliveira, Pricila Pereira Siqueira, Thalia Cler, Márcia Helena de Carvalho

Resumo


O presente artigo tem como objetivo analisar o perfil social da mulher detenta em cumprimento de pena no presídio de Manhumirim-MG demonstrando as particularidades em relação a idade, escolaridade, gênero, raça e delitos praticados. Dentre a população carcerária no Brasil 37.380 são mulheres, com esse número, o Brasil possui a  quinta maior população penitenciária feminina, perdendo apenas para os Estados Unidos (205.400), a China (103.766), a Rússia (53.304) e a Tailândia (44.751). Como consequência dessa explosão populacional, as detentas enfrentam diversos problemas como a superlotação, falta de materiais de higiene pessoal, restrita comunicação com a família, falta de dormitório especial para gestantes, acompanhamento pré-natal, creches e berçários, tornando a vida não só da grávida, como também do bebê praticamente inviável dentro dos presídios, tanto dos femininos como dos mistos. Diante desta constatação, a pesquisa em pauta procurou demonstrar a particularidade do “feminino encarcerado”, para tal realizou-se um levantamento bibliográfico dos principais autores que discutem a temática no Brasil e entrevista com as mulheres encarceradas no presidio de Manhumirim-MG. Dentre as 13 mulheres encarceradas no Presidio de Manhumirim-MG, a maioria delas esta presa pelo envolvimento com drogas. O perfil social delas revela que a criminalidade não faz distinção de gênero, cor, idade e condições sociais, porém, o sistema prisional foi construído e tem sido operacionalizado levando em consideração o ser masculino, desrespeitando as particularidades femininas.

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